segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ESTÓRIA DE VIDA A 13


Decidira procurar outro lugar, para me poder encontrar como os meus pensamentos e fazer uma pausa para ler. Escolhi aquele jardim nas traseiras da igreja das Sete Bica, onde existia uma esplanada muito agradável. Ali fiquei, “curtindo”, o ruído dos pássaros, o sussurrar das árvores despidas, deixando a mente livre de pensamentos. Após algum tempo deste, retiro ao qual dei algum espaço à leitura, decidi voltar para casa. No caminho lembrei-me de que tinha de comprar, algo para o almoço. Tinha na ideia de que mais à frente havia um talho e iria lá.


Olhei da esquina, pensando que o talho já tinha desaparecido, não tinha qualquer reclamo exterior, mas afinal estava lá. Entrei e esperei alguns momentos durante o quais, mesmo sem querer, ouvi aquela conversa. O talhante que presumi ser o dono, dirigia-se ao outro individuo, mais ou menos com estas palavras: “Olhe traga-me a factura para semana para pagar, porque é a última para liquidar, e fica tudo arrumado, já que vai fechar, acaba-se com isso.”. O outro sujeito fez um qualquer comentário de anuência e foi-se embora. A minha curiosidade aguçou-se, perante o que tinha ouvido. vendo as montras frigorificas quase vazias, e o talhante, com um ar entristecido, fiz-lhe a pergunta: Desculpe, mas não pude deixar de ouvir a conversa, o talho vai fechar? Ele prontamente me respondeu, vai sim... Nem deixei acabar a resposta, e fiz nova pergunta: Mas por quê, falta de clientes? Não, não é, eu já estou cansado disto, não tenho vontade para continuar sozinho a aguentar isto, sem a minha mulher. Eu já tinha reparado que ele vestia um pólo preto e de facto os seus olhos estavam brilhantes e tristes. Perguntei-lhe, por quê ela morreu? Foi sim, perdi todo o prazer nisto, tudo, ela ajudava-me imenso, aqui e não só. Perguntei novamente mas e os clientes? Os clientes...desculpe dizer o que vou dizer, mas ela roubou-mos todos! Não porque fosse velhaca, ou má pessoa, pelo contrário, ela era excepcional, com eles, as senhoras adoravam-na, ela falava muito com elas e leva-lhes as encomendas, servias aqui, etc, e agora por causa disso eles não querem vir cá, porque têm saudades dela e tem pena de não encontrarem aqui.. então perdi quase setenta por cento da minha clientela... com a crise... decidi deixar isto, e é engraçado, se, se pode dizer isso, imagine que ela fazia anos a treze, casamos a treze, abrimos o talho num dia treze, e vamos fechar quando faz treze anos de existência.
De facto não era bem a falta de clientes. Tinha sido sim, a falta de alguém, que amava e era amada, pelos seus clientes, que originara o fecho.

Ao ouvir isto recordei-me de como o falecido, Fernando Pessa, acabava as suas reportagens: “E esta, hein?”

Saí matutando na crise, ao mesmo tempo que pensava, que a forma de atendimento tradicional, personalizado e de proximidade com o cliente, destes pequenos estabelecimentos, era o único meio de sobrevivência perante a concorrência desigual com as grandes superfícies. Não havendo isto, dificilmente se resiste.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Oh, CHUVA.. na Timidez


Hoje substitui a minha fala por outras falas.

TIMIDEZ
"Invento-te num sonho só meu e sem pudor, desvendo-te os segredos que minha alma ainda encerra… Mostro-te sem rodeios os desejos sentidos, expostos nos arrepios que só teu olhar consegue provocar. Seguindo sem medo, as estradas traçadas na pele para te levar ao mais infinito sentido de prazer…


Dispo-me das incertezas para abraçar a cor da paixão que me envolve o corpo com seu manto quente, feito de vontades urgentes. E em gestos inquietos, guio-te nesse fogo que me queima por dentro…

Revelo-te na minha nudez, o desejo da entrega que me assalta como uma tempestade e num último esgar de lucidez, diante desta loucura que é amar-te, transparece toda a timidez deste meu ser!"
 
Tirado do blog
http://emsegredo.blogs.sapo.pt/

POR VEZES... AS PALAVRAS CERTAS...

Por vezes, mesmo quando dizemos as palavras certas, nem sempre elas estão certas. Nem sempre vemos para além do que está à nossa frente, ajuizando da pior maneira, quem nos deseja o melhor, e nos dá o seu melhor.

Tem vezes que as palavras certas, que parecem incertas, dizem mais do que aparentam e vão mais longe do que os nossos pensamentos, caminhando bem a par com o que queremos.


Ter palavras certas, para as pessoas certas, em momentos certos, sem acreditar no erro, é deixar de ser gente. São o erro e o acerto, que fazem evoluir o mundo, se assim não fosse, nem a roda teria sido descoberta nem o fogo teria aquecido as almas.


E como podemos saber do erro, ou do certo? Nem juízos apressados, nem interpretações desajustadas nos ajudam, penso eu. E que pensas tu?


“O algodão não engana”, diz a publicidade, digo eu. Para alguns de nós a dignidade e honestidade de comportamento ainda são um valores a cumprir, preferindo perecer a deixar que os subvertam. Quando postos em causa magoam.

"Enquanto houver um louco, um poeta e um amante haverá sonho, amor e fantasia. E enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança." (William Shakespeare)
"SE NUNCA FALHASTE NUNCA VIVESTE"
facebook Frases sentidas

sábado, 25 de fevereiro de 2012

TRÊS PEÇAS


Três peças ficaram
Duas marcam um tempo
Uma o perfume do momento
Duas ficaram das três
Derrubadas em sítios escusos
Outra colada na pele
aroma, memória, encontro
As três tem uma história
Da qual não vou agora falar
Se não ficaram por acaso
É motivo para pensar
Se haverá um prazo
Para tudo se explicar

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

ÁRVORES COM ALMA


Olhei-as altas esguias recortadas no céu, sem a decoração que as referencia. Só os pássaros as aconchegam, no vazio da espera. São poderosas, porque nuas, oferecidas ao sol que as beija, como um corpo de mulher que se desnuda aos nossos olhos em majestosa volúpia e derruba todas as nossas tibiezas.

Fico parado, e nostálgico me perco em memórias. Cada galho vazio, outrora preenchido de coloridas folhas, era agora uma súplica aos céus para que regressasse a primavera de flores rosadas, que amadurecidas em cor verde vivo, a sombreassem.

O céu dava-lhe o recorte, as sombras decoravam suas reentrâncias, os nódulos marcavam cada nascimento, como em nós humanos o crescimento.

Ela continuava majestosa, despida de seus enfeites, projectando-se no espaço com orgulho de si. sem artifícios de conquista. com a singeleza das coisas belas. tornando-se figura do meu pensamento, que como ela se encorajava em novo renascimento.

O que ali se lhe deparava, seguia a ordem natural das coisas, não como a sua alma perdida em galhos secos, sem regaço e empedernida pelo cansaço.
 
Apeteceu-me nelas me abraçar, tocar a sua pele, sentindo a seiva alimentando o seu crescer, e com elas esperar, a primavera acontecer.

PÁGINAS DO LIVRO

As páginas do livro, que não escrevi foram-te enviadas.
Nelas constavam palavras e frases bem avisadas.
Dizem que não dou ponto sem nó, quando assim faço
Na verdade do teu coração só queria um pedaço

Queria ver-te voar, partilhando o céu até ao horizonte
Batendo as asas em ondulantes movimentos
Entre frases e palavras soltas, do amor e sua fonte
Ou simplesmente planando e o longe observando
O pedaço do teu coração em mim ficando

Um dia enviei-te as páginas de um livro,
E as palavras e frases que nelas constavam
Eram dum coração que não dava ponto sem nó
E queria um pedaço do teu para não estar só


Há alguns dias Manuel Pina, falava dos indivíduos que se pensam poetas porque as palavras rimam e dava o exemplo " Todos com “alma” a rimar com “calma” e “água” a combinar com “mágoa” e coisas do género ". Eu não sou poeta mas gosto que rimem, não sabendo mais, paciência, ele que me desculpe



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

JOSÉ AFONSO, CANTOR DA REVOLUÇÃO

Coimbra. Esta é da poucas homenagens
que se podem encontrar a este
cantor de intervenção, que tanto deu
ao seu país.
JOSÈ AFONSO, o "ZECA", como era mais conhecido Faleceu a 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às três horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica. Faz agora vinte cinco anos.

Lembro-me de o ouvir cantar ao vivo em festas de estudantes, e de movimentos de jovens para os quais sempre, arranjava algum tempo disponível. Não raras vezes me emocionei a ouvi-lo, nesses tempos.
Foi um cantor de intervenção política de qualidade ímpar, no seu país e a além fronteiras.
Merecia ter o reconhecimento dos poderes políticos, e não só, deste país prestando-lhe uma homenagem que marcasse bem a sua importância como cantor e músico.
Para os que como eu, que sempre convivemos com a sua música, ao longo dos anos, dificilmente o esqueceremos.

Eis alguns dados retirados da Wikipédia. que nos dá a  dimensão deste figura ímpar da música portuguesa.

Começando por cantar em festas populares e em colectividades, lança, em 1960, o seu quarto disco, Balada do Outono. Em 1962 segue atentamente a crise académica de Lisboa, convive, em Faro, com Luiza Neto Jorge, António Barahona, António Ramos Rosa. Segue-se uma nova digressão em Angola, com a Tuna Académica da Universidade de Coimbra, no mesmo ano em que vê editado o álbum Coimbra Orfeon of Portugal. Nesse disco José Afonso rompe com o acompanhamento das guitarras de Coimbra, fazendo-se acompanhar, nas canções Minha Mãe e Balada Aleixo, pelas violas de José Niza e Durval Moreirinhas.

Em 1963 termina a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre, intitulada Implicações substancialistas na filosofia sartriana.

No mesmo ano são editados os primeiros temas de carácter vincadamente político, Os Vampiros e Menino do Bairro Negro - o primeiro contra a opressão do capitalismo, o segundo, inspirado na miséria do Bairro do Barredo, no Porto  -  integravam o disco Baladas de Coimbra, que viria a ser proibido pela Censura. Os Vampiros, juntamente com Trova do Vento que Passa (um poema de Manuel Alegre, musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira) viriam a tornar-se símbolos de resistência anti-Salazarista da época.

Realiza digressões pela Suíça, Alemanha e Suécia, integrado num grupo de fados e guitarras, na companhia de Adriano Correia de Oliveira, José Niza, Jorge Godinho, Durval Moreirinhas e ainda da fadista lisboeta Esmeralda Amoedo.

Em Maio de 1964 José Afonso actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, onde se inspira para fazer a canção Grândola, Vila Morena. A música viria a ser a senha do Movimento das Forças Armadas no golpe de 25 de Abril de 1974, permanecendo como uma das músicas mais significativas do período revolucionário. Ainda naquele ano são lançados os álbuns Cantares de José Afonso e Baladas e Canções.

Ainda em 1964, José Afonso estabelece-se em Lourenço Marques, com Zélia, reencontrando os filhos do anterior casamento. Entre 1965 e 1967 é professor no Liceu Pêro de Anaia, na cidade da Beira, e em Lourenço Marques. Colabora com um grupo de teatro local, musicando uma peça de Bertolt Brecht, A Excepção e a Regra. Manifesta-se contra o colonialismo, o que lhe causa problemas com a PIDE, a polícia política do Estado Novo. Em Moçambique nasce a sua filha Joana, em 1965.

Residiu, entre 1964 e 1967, em Moçambique, acompanhado pelos dos filhos e pela sua companheira, Zélia, tendo ensinado na Beira, e em Lourenço Marques. Nesta altura, começa a sua carreira política, em defesa dos ideais de independência, o que lhe valeu a atenção dos agentes do governo colonial.

Intervenção política até à Revolução de 25 de Abril

Quando regressa a Portugal, em 1967, é colocado como professor em Setúbal; no entanto, fica a leccionar pouco tempo, pois acaba por ser expulso do ensino oficial, depois de um período de doença. Para sobreviver, começa a dar explicações.A partir desse ano, torna-se definitivamente um símbolo da resistência democrática. Mantém contactos com a Liga Unitária de Acção Revolucionária e o Partido Comunista Português — ainda que se mantenha independente de partidos — e é preso pela PIDE. Continua a cantar e participa no I Encontro da Chanson Portugaise de Combat, em Paris, em 1969. Grava também Cantares do Andarilho, recebendo o prémio da Casa da Imprensa pelo Melhor Disco do Ano, e o prémio da Melhor Interpretação. Para que o seu nome não seja censurado, Zeca Afonso passa a ser tratado nos jornais pelo anagrama Esoj Osnofa.

Em 1971 edita Cantigas do Maio, no qual surge Grândola, Vila Morena. Zeca participa em vários festivais, sendo também publicado um livro sobre ele e lança o LP Eu vou ser como a toupeira. Em 1973 canta no III Congresso da Oposição Democrática e grava o álbum Venham mais Cinco. Ao mesmo tempo, começa a dedicar-se ao canto, e apoia várias instituições populares, enquanto que continua a sua carreira política na Liga de Unidade e Acção Revolucionária.

Entre abril e maio de 1973 esteve detido no Forte-prisão de Caxias pela PIDE/DGS.

Período após a Revolução dos Cravos

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, acentua a sua defesa da liberdade, tendo realizado várias sessões de apoio a diversos movimentos, em Portugal e no estrangeiro; retoma, igualmente, a sua função de professor.Continuou a cantar, gravando o LP Coro dos Tribunais, ao mesmo tempo que se envolve em numerosas sessões do Canto Livre Perseguido, bem como nas campanhas de alfabetização do MFA. A sua intervenção política não pára, tornando-se um admirador do período do PREC. Em 1976 declara o seu apoio à campanha presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho.

Os seus últimos espectáculos terão lugar nos coliseus de Lisboa e do Porto, em 1983, numa fase avançada da sua doença. No final desse mesmo ano é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa a distinção.

Em 1985, é editado o seu último álbum de originais, Galinhas do Mato, no qual, devido estado da doença, Zeca não consegue interpretar todas as músicas previstas. O álbum acaba por ser completado por José Mário Branco, Sérgio Godinho, Helena Vieira, Fausto e Luís Represas. Em 1986 apoia a candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo a Presidente da República.

Prémios e homenagens

Foi laureado pela Casa da Imprensa, como o melhor compositor e intérprete de música ligeira, nos anos de 1969, 1970 e 1971.

Foi, igualmente, homenageado pela Câmara Municipal de Lagos, que colocou o seu nome numa rua da Freguesia de Santa Maria.

Em 2007, foi homenageado na IX Grande Noite do Fado Académico, na Casa da Música (Porto), numa organização do Grupo de Fados do ISEP e da Associação de Estudantes do ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto).