Ela continua a perturbar-lhe os sentidos,
tira-lhe os pés do chão quando a olha para além das lentes semiescuras dos
óculos. A emoção chega, faz-se sentir para além do físico, algo intemporal,
inexplicável, que cala, dentro.
traz
calafrios, um desejo de estar perto e de dar aquele abraço forte até se tornar
afago. Ter as suas mãos dentro das dele, vibrarem na mesma energia, de tal modo
siameses que não se desligam. Insanamente, invade o seu sossego. Abraça-o com o
seu olhar, provoca-lhe a necessidade de a beber, torna-se eco das suas emoções.
Ela é uma proposta que liberta um sentir sem limite. Insuficientes são as
palavras para dizer em frases coerentes o que está a acontecer. Deixou-o sem
projecto, sem saber que caminho traçar, vulgarizou toda a sua arquitectura de
pensamento. Como a água corre da fonte, ela corre dentro dele, espalhando-se
por todo o seu ser. Ela é o beijo que se deseja, o amor que se quer deitado no nosso
regaço. Ela é a fala de mãos que se imagina a acariciar o seu rosto, ela é a
ternura que se ambiciona no aconchego, é um amor que se guarda sem segredo, o fruto
e mosto de bebida tão perfumada. Na verdade, um sonho que demora a encontrar a realidade.
dc