Fim de tarde. Cheguei à praia, já quase não tem gente, o calor ainda estava alto, o mar estava calmo, viam-se ainda muitas pessoas a mergulhar nas pequenas ondas. Estendi a toalha na areia, despi-me e fui até ao mar; a água estava óptima, foi um banho e tanto. Deitei-me na toalha para descansar e li durante um bocado; a certa altura arrumei o livro, era interessante, mas não tinha pressa de o ler, podia esperar. O calor começara a diminuir e uma brisa ligeira afagava a pele. O vozear das pessoas vai diminuindo, os nadadores-salvadores soltam o apito tradicional de fim de tarefa e todos batem palmas. O sol vai-se descarregando sobre o mar numa bola gigante de tons vermelho e laranja, com ligeiras nuvens que desenham interrupções na uniformidade do seu formato.
Fecho
os olhos e ouço o mar no seu ritual, a brisa leve vai refrescando a pele,
deixo-me absorver por toda aquela sensação de viver num outro lugar, talvez num
qualquer planeta que não este que habito. Apercebo-me de que entre cada onda existe
um ruído que bruscamente desaparece num silêncio de milésimos de segundo até ao
desfazer da onda no areal; tudo surge como uma canção de embalar e apago
totalmente. O piar de uma ave acorda-me. O escuro avizinha-se rapidamente, sinto
um arrepio, arrefeceu e a pele está fria, o cheiro da maresia é mais intenso.
Ao longe, uma música toca no bar da praia, enquanto eu demoro a aperceber-me do
que faço ali. Sinto uma calma estranha, perdi a noção do tempo. Uma apatia
saudável se assenhoreia de mim. Lentamente, visto-me e arrumo as coisas na
mochila; o dia de praia findou. Este foi um fim de tarde para fixar na memória,
saio dali renovado; era a resposta de que eu precisava para recuperar do
cansaço mental e melhorar o humor.
dc