terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Devaneio (ou desvario)

Ela continua a perturbar-lhe os sentidos, tira-lhe os pés do chão quando a olha para além das lentes semiescuras dos óculos. A emoção chega, faz-se sentir para além do físico, algo intemporal, inexplicável, que cala dentro e traz calafrios, um desejo de estar perto e de dar aquele abraço forte até se tornar afago. Ter as suas mãos dentro das dele, vibrarem na mesma energia, de tal modo siameses que não se desligam. Insanamente, invade o seu sossego. Abraça-o com o seu olhar, provoca-lhe a necessidade de a beber, torna-se eco das suas emoções. Ela é uma proposta que liberta um sentir sem limite. Insuficientes são as palavras para dizer em frases coerentes o que está a acontecer. Deixou-o sem projecto, sem saber que caminho traçar, vulgarizou toda a sua arquitectura de pensamento. Como a água corre da fonte, ela corre dentro dele, espalhando-se por todo o seu ser. Ela é o beijo que se deseja, o amor que se quer deitado no nosso regaço. Ela é a fala de mãos que se imagina a acariciar o seu rosto, ela é a ternura que se ambiciona no aconchego, é um amor que se guarda sem segredo, o fruto e mosto de bebida tão perfumada. Na verdade, um sonho que demora a encontrar a realidade.

dc

 

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