terça-feira, 12 de maio de 2026

Amo-te em silêncio

     

Amo-te em silêncio, mesmo que o teu nome não seja Margarida, foi a flor que escolhi, pelo seu simbolismo, para falar o que penso, mesmo sabendo impossível a diferença que nos impõe o tempo de existir e da distância que me impede de colocar as palavras em registo audível, para que te toquem. O silêncio foi o caminho que escolhi para poder sentir o ruído que se agita dentro de mim sempre que afloras os meus pensamentos.

Procurei decifrar-te, tentei descobrir o que te faz estar presente, entre frases e sorrisos. Nunca consegui saber onde está o teu coração e, se alguma vez pensei ter a tua atenção, foi um sonho desenhado em papel de vento.

 

dc


https://www.youtube.com/watch?v=_BVfzJFkWug  

domingo, 3 de maio de 2026

Cheiros da terra e espera silenciosa


Quando não chega mais do que superficialidades, para que serve escutar ou trocar dois dedos de conversa? A vida é demasiado curta para isso.

É simples: o correr da vida já me desenhou imensos cenários e fez-me passar por diferentes papéis nos quais me tornei “especialista”. Agora, detecto facilmente, na leitura das primeiras frases ou da sua escuta, se me interessa o papel a representar.

O dinheiro não me move; da experiência não abuso, só serviria para cortar a possibilidade criativa que ainda me resta.

Resolvi antes voar, em outros lugares onde a representação é funcional e intuitiva, indo ao encontro da vida real.

A cidade já não é novidade; a natureza simples dos espaços amplos onde ainda prevalecem a pureza, o trinar dos pássaros, a brisa que atravessa as árvores que me apetece abraçar, os cheiros da terra que me inundam de calma e espera silenciosa.

Um dia chegará, de braços abertos, e os seus lábios molhados me saciar-me-ão de outra sede que faz o mundo rodar e traz à vida algo mais do que frases sonoras que morrem em folhas de papel que ninguém lê.

 

dc




sábado, 2 de maio de 2026

Caminhar para descobrir

 

Caminho no meio de todos aqueles pinheiros-mansos que parecem tocar o céu. Não me apercebi do transcorrer do tempo. Sei que cheguei com a claridade da tarde nublada e regressei com o dia anoitecido. A luz dos candeeiros já começava a iluminar as ruas. O relógio não merecera consulta naquela viagem inédita ao mundo dos pensamentos, como fora sugerido que o fizesse para melhor saber de mim. Alguém me dissera que seria bom estar rodeado de árvores e, se quisesse, as abraçasse; talvez a seiva que nelas corre me ensinasse outras formas de encontrar as respostas que procurava. Lembro-me do pisar da caruma, dos galhos secos a estalarem, dos estradões corta-fogo feitos na areia, de ouvir o mar distante e o cheiro da maresia misturado com o da resina dos pinheiros que atravessava todo o espaço e chegava até mim. Lembro-me de que, em certo momento, não me recordava ao certo onde estava e, muito menos, depois de tanto ter adentrado no pinheiral, de ficar com a sensação de que me perdera. Julgava eu ter caminhado em direção ao ruído do mar, mas sem bússola, ou sol, como referência e o cérebro carregado de milhares de reflexões, regressar foi uma aventura. Tudo isso foi minimizado pela calma de que estava possuído. O turbilhão que até ali me trouxera praticamente tinha desaparecido, de tal modo que, naquele mesma noite, ficou decidido o que fazer nos tempos mais próximos e com a confiança necessária para tomar todas as decisões que se impusessem para encontrar a solução que melhor servisse o meu bem-estar e o modo de vida que entendia dever seguir, contra ventos e marés.

dc