Quando
não chega mais do que superficialidades, para que serve escutar ou trocar dois
dedos de conversa? A vida é demasiado curta para isso.
É simples: o correr da vida já me desenhou imensos cenários e fez-me passar por
diferentes papéis nos quais me tornei “especialista”. Agora, detecto facilmente,
na leitura das primeiras frases ou da sua escuta, se me interessa o papel a
representar.
O dinheiro não me move; da experiência não abuso, só serviria para cortar a
possibilidade criativa que ainda me resta.
Resolvi antes voar, em outros lugares onde a representação é funcional e
intuitiva, indo ao encontro da vida real.
A cidade já não é novidade; a natureza simples dos espaços amplos onde ainda
prevalecem a pureza, o trinar dos pássaros, a brisa que atravessa as árvores
que me apetece abraçar, os cheiros da terra que me inundam de calma e espera
silenciosa.
Um dia chegará, de braços abertos, e os seus lábios molhados me saciar-me-ão de
outra sede que faz o mundo rodar e traz à vida algo mais do que frases sonoras
que morrem em folhas de papel que ninguém lê.
dc
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