domingo, 3 de maio de 2026

Cheiros da terra e espera silenciosa.

 

Quando não chega mais do que superficialidades, para que serve escutar ou trocar dois dedos de conversa? A vida é demasiado curta para isso.

É simples: o correr da vida já me desenhou imensos cenários e fez-me passar por diferentes papéis nos quais me tornei “especialista”. Agora, detecto facilmente, na leitura das primeiras frases ou da sua escuta, se me interessa o papel a representar.

O dinheiro não me move; da experiência não abuso, só serviria para cortar a possibilidade criativa que ainda me resta.

Resolvi antes voar, em outros lugares onde a representação é funcional e intuitiva, indo ao encontro da vida real.

A cidade já não é novidade; a natureza simples dos espaços amplos onde ainda prevalecem a pureza, o trinar dos pássaros, a brisa que atravessa as árvores que me apetece abraçar, os cheiros da terra que me inundam de calma e espera silenciosa.

Um dia chegará, de braços abertos, e os seus lábios molhados me saciar-me-ão de outra sede que faz o mundo rodar e traz à vida algo mais do que frases sonoras que morrem em folhas de papel que ninguém lê.

 

dc




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