sábado, 2 de maio de 2026

Caminhar para descobrir

 

Caminho no meio de todos aqueles pinheiros-mansos que parecem tocar o céu. Não me apercebi do transcorrer do tempo. Sei que cheguei com a claridade da tarde nublada e regressei com o dia anoitecido. A luz dos candeeiros já começava a iluminar as ruas. O relógio não merecera consulta naquela viagem inédita ao mundo dos pensamentos, como fora sugerido que o fizesse para melhor saber de mim. Alguém me dissera que seria bom estar rodeado de árvores e, se quisesse, as abraçasse; talvez a seiva que nelas corre me ensinasse outras formas de encontrar as respostas que procurava. Lembro-me do pisar da caruma, dos galhos secos a estalarem, dos estradões corta-fogo feitos na areia, de ouvir o mar distante e o cheiro da maresia misturado com o da resina dos pinheiros que atravessava todo o espaço e chegava até mim. Lembro-me de que, em certo momento, não me recordava ao certo onde estava e, muito menos, depois de tanto ter adentrado no pinheiral, de ficar com a sensação de que me perdera. Julgava eu ter caminhado em direção ao ruído do mar, mas sem bússola, ou sol, como referência e o cérebro carregado de milhares de reflexões, regressar foi uma aventura. Tudo isso foi minimizado pela calma de que estava possuído. O turbilhão que até ali me trouxera praticamente tinha desaparecido, de tal modo que, naquele mesma noite, ficou decidido o que fazer nos tempos mais próximos e com a confiança necessária para tomar todas as decisões que se impusessem para encontrar a solução que melhor servisse o meu bem-estar e o modo de vida que entendia dever seguir, contra ventos e marés.

dc


 

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