quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Fujo das Sombras


Fujo das sombras que crescem sem luz que as alimente.
Enfrento-me no espelho. Tento trazer um sorriso aos lábios.
Fujo da travessura dos dias.

Afasto-me dos pensamentos loucos que outros mais loucos me trazem.
Corro para longe da fúria que me assola e tinge os olhos de vermelho.
Tapo os ouvidos perante os gritos que chegam do Oriente na violência da guerra.

Procuro a coragem para o caminho que ainda falta percorrer.
Na natureza tentei sentir as árvores, o cheiro das flores, o aroma da terra húmida.
No mar deixei-me embalar pelas ondas e o grito das gaivotas.
Aproveitei-me do horizonte preenchido de sol vermelho para acalmar a alma.
No meio de gente simples voltei a sentir a camaradagem e o bom dia de desconhecidos.

Será possível que tudo mude antes de o ocaso acontecer?

dc



 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Um fim de tarte e tanto


Fim de tarde. Cheguei à praia, já quase não tem gente, o calor ainda estava alto, o mar estava calmo, viam-se ainda muitas pessoas a mergulhar nas pequenas ondas. Estendi a toalha na areia, despi-me e fui até ao mar; a água estava óptima, foi um banho e tanto. Deitei-me na toalha para descansar e li durante um bocado; a certa altura arrumei o livro, era interessante, mas não tinha pressa de o ler, podia esperar. O calor começara a diminuir e uma brisa ligeira afagava a pele. O vozear das pessoas vai diminuindo, os nadadores-salvadores soltam o apito tradicional de fim de tarefa e todos batem palmas. O sol vai-se descarregando sobre o mar numa bola gigante de tons vermelho e laranja, com ligeiras nuvens que desenham interrupções na uniformidade do seu formato.

Fecho os olhos e ouço o mar no seu ritual, a brisa leve vai refrescando a pele, deixo-me absorver por toda aquela sensação de viver num outro lugar, talvez num qualquer planeta que não este que habito. Apercebo-me de que entre cada onda existe um ruído que bruscamente desaparece num silêncio de milésimos de segundo até ao desfazer da onda no areal; tudo surge como uma canção de embalar e apago totalmente. O piar de uma ave acorda-me. O escuro avizinha-se rapidamente, sinto um arrepio, arrefeceu e a pele está fria, o cheiro da maresia é mais intenso. Ao longe, uma música toca no bar da praia, enquanto eu demoro a aperceber-me do que faço ali. Sinto uma calma estranha, perdi a noção do tempo. Uma apatia saudável se assenhoreia de mim. Lentamente, visto-me e arrumo as coisas na mochila; o dia de praia findou. Este foi um fim de tarde para fixar na memória, saio dali renovado; era a resposta de que eu precisava para recuperar do cansaço mental e melhorar o humor.

dc