quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A "minha" praia



Muitas vezes tinha caminhado por aquela estrada de acesso à praia, com subidas e descidas, num alcatrão sem largura suficiente para os carros. O espaço envolvente era preenchido por pinheiros-mansos de um lado e outro do percurso, que deixavam um cheiro agradável no ar. Cada vez que fazia aquele percurso, ao passar pela curva da vacaria, ao aproximar-se da auto-estrada, ficava parado a olhar o outro lado, sonhando com as potencialidades de viver naquele lugar; imaginava uma casa com vista para a lagoa e para o campo verde, com vacas e cavalos a pastar.
Aquela praia, para alguns seria uma surpresa; para ele, não. Há largos anos que conhecia aquela praia. O caminho pelo passadiço, agora feito de materiais amigos da natureza, conduz-nos à praia; quando chegou ao topo da duna, olhou e respirou fundo. A praia, como sempre, estava quase deserta: um guarda-sol aberto e duas pessoas, não só por ser cedo, mas porque, na verdade, nunca fora uma praia muito frequentada. A justificação disso tinha a ver com o mar agitado que era comum, com as ondas a quebrar no areal de forma perigosa para os banhistas. É uma praia pouco conhecida pelos de fora; é, por assim dizer, dos da terra. Uns chamam-lhe a Praia da Vacaria, outros do Monte Velho. O mar, nem sempre calmo o suficiente para tomar banho e nadar um pouco, hoje estava mar-chão, quase sem ondulação. Verificou que agora havia nadadores-salvadores, pelos sinais que se indicavam no areal, o que permitia ter mais confiança aquando do banho. Ele não esperou por eles e avançou. A água estava à temperatura certa, pelo menos para ele. Foi um banho delicioso, que o deixou cansado, mas calmo e pronto para se derramar na areia e aproveitar o sol. Mais dois banhos aconteceram no intervalo da leitura, e do sol a cumprir o seu serviço de bronzear e carregar o corpo de vitamina D. Acabariam por chegar mais pessoas, não muitas, mas as suficientes para lhe dar a razão de ser.
Não ficou muito tempo; tinha vindo a caminhar pela estrada e, duas horas passadas, teria de voltar à cidade, outrora vila. A caminhada foi calma, observando e absorvendo cada bocadinho da paisagem até chegar ao lugar da vacaria, onde mais uma vez sonhou e desejou ficar naquele outro lugar em frente.
Um início de férias como esperava: debruando memórias, carregar a esperança, largar o stresse e voltar e aproveitar para sorrir.

dc