Fui envolvido por silêncios,
nem sempre únicos, as falas não ocorrem, todos temos necessidade de meditar. As
circunstâncias do ambiente que nos rodeia envolvem-nos de questionamentos,
perante a violência física e mental que ocorre na sociedade, que, envolvida por
falsas premissas, leva os incautos a acreditar em frases corrompidas de lógica
e afastadas da realidade. Carne para canhão, na gíria comum, somos os últimos a
apercebermo-nos de que fomos enganados pelos sorrisos, as palavras bonitas, as
promessas irrealizáveis. E seguimos percorrendo os mesmos caminhos, com os
mesmos defeitos, porque, intoxicados quanto baste por uma comunicação fácil e
programada, vamos direitos ao abismo que nos propõem. Acusam-me de pessimismo,
de encarar o mundo caótico sem esperança, mas na verdade penso que mais
importante do que perder a esperança é saber até que ponto consigo ajudar a
despertar quem adormece em crenças de duvidosa origem, ou naqueles que os
dirigem usando a frase comum “é para o vosso bem”, como se eles alguma vez
tivessem sido salvadores de algo. O povo acredita nos corruptos que dizem
combater a corrupção, porque, castigados pela vida, fazem profissão de fé
perante o demagogo e chamado, de diabo em pessoa, que só falta ir às lágrimas
para os encadear com as luzes das promessas.
Penso em quantas vezes tive de engolir sapos para que o caminho das pessoas não
acelere em direcção ao abismo. Fui cúmplice de muitas desses questionamentos e
decisões, do mal menor, mas será que conseguimos, em algum momento, ser capazes
de chegar até eles acordando-os, ou facilitamos-lhes a vida, não os deixando
escorregar na casca de banana onde caíram? Se fosse um filho, diríamos que
serviria de aprendizagem, na vida em sociedade diz-se: mal menor. Cansei. O tempo foge-me do
controlo e o fim está cada vez mais próximo, e fica-me a frase famosa: o que
fazer? Será que devo manter-me no mesmo registo por um tempo ou deixar que tudo
aconteça como aprendizagem?
dc
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