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sexta-feira, 13 de março de 2026

Além do visível

Majestosa se abre para receber o sol e a brisa da tarde, à semelhança do
sorriso que vislumbro no teu rosto quando chegas acompanhada de palavras que confortam, vestida de viajante despreocupada. Observo os diferentes ângulos, tento vislumbrar o que mais posso saber da sua natureza, como chegou, de onde partiu, o que alimentou o seu crescimento e as razões da sua cor e Vida. Tento captar a sua génese, mesmo sem lhe sentir o cheiro, nem saber a importância do lugar ou a terra de onde se alimentou e cresceu. É possível que seja essa a força maior que me mobiliza os pensamentos, na procura e estudo da forma e feitio, que faz com que sejamos o que somos e como somos. Na realidade até que ponto a natureza, ou a genética, nos molda para aparentarmos essa forma que nos faz seres vivos e quanto as circunstâncias influem nesse percurso.
É difícil, quando te plantas aos meus olhos, não ficar perplexo com a beleza e o quanto o Universo é perfeito e calculista quando nos apresenta espécimes raros e capazes de nos motivarem a ir mais além do comum dos dias.

 

dc

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Caminhando à chuva

 

Gostava de saber escrever como um poeta e dizer as palavras certas, chegando aos ouvidos de quem queremos que escute. O cérebro, de modo intenso, trabalha. Pensamentos cruzados com o quotidiano das coisas baralham os raciocínios, fluindo tudo sem filtros. Confundem-se sentimentos com comportamentos, modos de estar com emoções, a beleza observada com os olhos do apego e resíduos do passado que devem ficar nas profundezas do inferno, a confundir o que na prática queremos tão limpo como a brancura da pomba da paz.
A chuva cai, traz com ela o frio, molha as roupas, o corpo gela por dentro. Acorda-o para a realidade. O sorriso inconsciente que bordava o rosto esmorece, os cantos da boca descaem e o frio traz gotas de sal à superfície dos olhos. É possível que, se fosse primavera, tudo fosse menos pesado e mais fácil encarar o futuro de forma positiva.
Ninguém tem culpa das intempéries que, dentro ou fora de nós, se desenrolam. Somos fruto das nossas vivências, da nossa cultura e educação, e das circunstâncias que nos foram surgindo no caminho. Tantas vezes pensa ter nascido fora da época. Não soube viver o que tinha quando por si passou a vida; hoje não encontra palavras, nem tem o tempo para que elas anulem a diferença que conta e que trava o seu dizer.  
Pensa ambiguidades, fica preso no acaso para que ele faça por si o que teme fazer e que, pelo menos, seria a resposta ao que sente dentro de si. Ser claro é ter a capacidade para enfrentar a negativa ou a positiva, com a força que a experiência deveria ter forjado ao longo do tempo.


dc

 

 

 

domingo, 23 de novembro de 2025

Olho sem ver, leio sem ter letras


Sei que risco e desarrisco, correndo o risco de nunca acertar, mas que hei de eu fazer, se até tenho receio de começar. A página de papel, em branco, implica a escolha do que escrever, as letras a desenhar, a criatividade do gesto, o cheiro do papel e da tinta nas letras a escorregar. Por fim, palavras alinhadas, pensamentos desalinhados, como possibilidade. As palavras dizem, expressam(?) o que parece certo, e encontram-se alinhadas como se tudo convergisse, mas os pensamentos se contradizem, e nesse caminho do certo ou errado, tudo é desconcerto. Na verdade, penso que posso dizer-te o que penso, dizer-te, amo-te de modo intenso, com as palavras certas. Pode não ser ideia acertada, que perturbe o teu caminho, quando muito tens para andar. Eu, pelo contrário, caminho decrescendo, vou-me afundando diminuindo o tempo, para aqui restar. Nascemos distantes no tempo, em cidades equidistantes, no entanto, próximos no entendimento, ou se calhar nem isso, porque amar é um sentimento sem explicações datadas no tempo, é um lugar de dois, que é, ou será, bom enquanto durar.
Então em que ficamos, como dar o primeiro passo além da escrita. Não me quero calar. Não dizer, é ficar sem saber, se foi errado, ou não, se nem sequer começamos a dizer o que cada um pensa. Volto ao princípio, risco e desarrisco, esmago folhas de papel, escolho nova caneta, até penso usar um pincel, que em tempos usava para desenhar letra, apreciando as cores à mão na paleta, do mesmo modo, assim ia desdobrando, entre pensamento e objecto no decorrer da execução, fosse em tela ou cartão, esperando que a resposta fosse dada pelo coração. Fico por aqui, neste texto com este sarilho, que nem sei resolver, tanto o que me adentra consome. Olho sem ver, leio sem ter letras, e penso sem parar no que tenho que riscar e arriscar.

dc


sábado, 12 de outubro de 2024

Lágrimas

As lágrimas nem sempre são de dor, raro são de alegria, reflectem diferentes formas do nosso humano reagir. As mais das vezes, correm pelo rosto sem lhe encontrar sentido para que aconteçam, brotam como um fio de água, na superfície dos sonhos, e se transformam num rio caudaloso, que vai deslizando e construindo as suas próprias margens. As lágrimas são o aglutinar do cimento com que nos tornamos humanos, são retrato da personalidade de quem as produz, são libertação do mundo interior, que se solta e escreve uma linguagem inesperada que prescinde das palavras.

 

dc