Ele concluiu que devia calar-se. Em tempos aprendeu a comunicar saindo do silêncio, que durante anos trouxera consigo. Aprendeu a ler com assiduidade, a falar com os outros, e de quando em quando a substituir os desenhos por palavras construindo frases. Começou a usar a oralidade, como forma de estar permanente, expondo com frontalidade, tentando chegar aos outros, comunicando tudo o que sabia e aprendia, colocando as suas ideias. Não se apercebeu porém, que por vezes falaria demais, ou estava escancarando tudo o que na sua alma sentia, ficando sem defesas. O universo, dizem-lhe alguns, trouxera-lhe a afonia, para ele se precaver de tal defeito, escrevendo mais, falando menos, mas ele continuou surdo, e as palavras, as ideias, as histórias foram surgindo, assim se continuando a revelar. Inesperadamente o universo deu-lhe a resposta, tirando-lhe o tapete, deixando-o a falar sozinho. agora tinha sido, mais do que evidente. ele tinha que aprender.
A lição foi dada. ele recebeu-a com galhardia e disse para consigo, “hoje fecharei a porta”, assumirei o silêncio subliminar. Não mais seria acusado de falar efusivamente, nem com as frases e ideias ao pé da boca. Tudo ficaria nos subentendidos dos seus murmúrios.
A lista que divulgou, as premissas de que falara, tudo o que lhe ouviram dizer, rasgou da sonoridade. talvez um dia, volte a sentir a necessidade, de ser ouvido, e que quem o escute, ou se delicie com o som das suas ideias e sonoridade da sua presença.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Ele concluiu que devia calar-se
terça-feira, 10 de abril de 2012
É NESTE LUGAR QUE ME PERCO
É neste lugar que eu me perco, na procura de mim. Aqui encontro o meu silêncio.
Neste espelho de água deixo-me vogar para tudo o que é impossível. Sonho-me num paraíso longe da acidez das gentes, e da sua pequenez. Avalio os meus sentimentos, julgo e me julgo, de erros e omissões, nas controversas decisões, por vezes tomadas a frio, ou no calor das discussões.
Também aqui me deixo levar pela ausência de pensar. Para que o peso das coisas terrenas, se dilua e encontre a paz na minha loucura.
Como eu gostaria de estar observando este espelho de água, pela janela aberta de um qualquer espaço sobre ele pousado, gozando com a brisa delineando nossos corpos na nudez do amanhecer, no arrepio poderoso da emoção.
Sim, como gostaria eu de restar, a teu lado, entre leituras, conversas sem tempo, abraços, beijos e prazeres inesperados. Do acordar sentindo-nos inteiros, entre aromas do mar e dos pinheiros. dos nossos corpos, no ar o seu cheiro, na nossa pele as marcas do prazer e do orvalho.
Venho-te visitar na continuidade dos tempos, nem sempre com a mesma alma, mas sempre de esperança às costas, de encontrar as respostas.
É aqui, que filtro a razão e a emoção, apurando a sua presença no espaço da minha vida.
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Foto: São Jacinto
segunda-feira, 9 de abril de 2012
PÁSCOA
No dia de Páscoa, não ligo há celebração em si. A religiosidade da época, não me diz nada, mas sim, o que ela permite de atenção dos nossos mais próximos, família e amigos. é bom, estar com aqueles que mais gosto.
Gosto também deste dia, porque permite apreciar, com prazer, todas as delicias gastronómicas da época. Tendo à mesa, mesmo em dias de precariedade, diferentes iguarias, que vão desde de umas entradas variadas, de presunto, bolinhos de bacalhau, espetadas, queijos, ao bom cabrito de chanfana, ao cabrito e vitela assado no forno com os respectivos acompanhamentos, e aos diferentes doces da sobremesa, como o leite creme, arroz doce, o afamado “pão de ló”, e vários tipos de amêndoas.
Este momentos tornam-se divinos e fazem esquecer, que há p’raí uns “coelhos” que andam a dar-nos cabo da vidinha.
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Foto: António Carvalho
sábado, 7 de abril de 2012
FOI TÃO BOM PARA TI COMO....
Saíram. No exterior o sol, agora brilhante, iluminava todo o ambiente realçando as cores das casas e as pinturas floreadas dos barcos no cais. As pessoas sentadas nas esplanadas gozavam o prazer do ar livre, mesmo que frio, mas mais do que agradável, tendo em conta como o dia começara, negro, chuvoso.
O almoço tinha sido bastante interessante, num diálogo preenchido de assuntos banais, mas de conhecimento entre duas almas, dias antes desconfiadas e distantes, que agora se iam mostrando. A ementa sóbria, apontara um “bacalhau à lagareiro”, que deliciosamente foi devorado, enquanto a conversa ia em crescendo. Na mesa ao lado as crianças olhavam com curiosidade o seu cabelo loiro e o seu ar nórdico, ouvindo a sua linguagem carregada de sotaque, aumentando a ideia de “turista”.
Já no carro, caminhando junto ao espelho de água, ela diz-lhe: “ o dia está a decorrer bem, Foi tão bom para ti como para mim?”. O que nos levou, ambos, a romper serenidade e calma que pontificara até aquele momento, em gargalhadas de ir às lágrimas. De facto, o que tinha acontecido até aquele momento, sugeria a necessidade de apurar, tal como os casais no final do amor, quanto o prazer encontrado.
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Foto: Diamantino Carvalho
NÃO SERÁ A ESPONJA DO TEMPO...
Não se perde a sonoridade das palavras e o conteúdo no seu dizer, nem o sabor da textura da pele, nem os cheiros. nada desaparece só porque alguém decidiu, ou porque se estabelece ser a esponja do tempo a fazer-nos esquecer. Mas saber que se ganhou perdendo.
Perdes-te como pessoa, magoando com o rasto de incompreensão, com o comodismo do que entendes ser a vidinha. No entanto aconteceu. partir sem choros nem lágrimas, na explicação fácil, de uma carta, que distante, ficou sem resposta.
A resposta adequada, à banalidade como tratam os sentimentos dos outros, as pessoas, pequeninas, que se deliciam cuidando-se importantes e morrem na ignorância do mundo, quando a beleza exterior desaparece. E no futuro...
Qualquer beijo acontecido
Cada voo alcançado
Será como um pedaço de vidro
do espelho, de um amor despedaçado
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Foto: Diamantino Carvalho
quinta-feira, 5 de abril de 2012
(A)MAR DE ENCANTO
No mar pousas os olhos esperando respostas.
Ali no voo das gaivotas desfazes cansaços,
Nas ondas que na areia se espraiam
te deixas levar pensando e sonhando a espaços.
Na abstracção que lentamente te vai dominando,
O murmurar do mar é fala de encanto,
O piar das gaivotas música do teu pranto
Tua mente e alma para longe voando.
A realidade foge e outro mundo em ti nasce
E nele outros projectos outros amores
Outras vidas, outros lugares, menos dores.
A brisa do mar trás o cheiro de outras paragens,
E a tua mente e alma se limpam, e o amor cresce
trazendo-te a paz, e à vida uma outra paisagem.
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Foto: Diamantino Carvalho - S.Jacinto
quarta-feira, 4 de abril de 2012
SEM MEDO DE PERDER
Espero ter-te confortado com o som baixo da minha voz, e que as palavras saídas dos meus lábios tenham sido a resposta ao teu pedido. Que te sintas inteira na preferência, na escolha assumida. Que seja o amor que te comande os sentidos, sem ciúme, sem medo de perder.
Quero-te senhora da alegria, vivendo e enfrentando o mundo, determinada pela conquista da tua paz interior, e por teres encontrado o que querias.
Tens duvidas que te assaltam. Sem saberes que opções tomar, se caminhar em frente ou parar. Nem sempre o caminho mais curto é o melhor. Difícil é escolher o caminho. Se o que te norteia é o sentimento, opta por aquele onde te sentes melhor e mais realizada. Contrariar a natureza é impedir a vida. Olhar para trás nada resolve, no presente fazes o teu futuro.
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Foto: Diamantino Carvalho
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