Ouvi
As palavras agrestes,
Desconexas, violentas
Continuando no seu zumbir
Não são frases com letras
São palavras com sentir
Surgem como setas
Doem no seu fluir
Ele tomba, rola, enleia-se
Vomita-se nas palavrasMerda. As frases existem
Fica-te surdo à sua violência.
Espera as palavras amigas
Que exprimem outra essência
E mandem a dor às urtigas
Parte com fúria, mas não gritando
Não deixa que rolem lágrimas
A cólera se irá afastando
Pela primeira vez, fica-te firme
Sem temer as rugas na expressão
Deixa ao corpo que não se redime
A dor de tão grande paixão
Fervilham pensamentos
Desconhece o que os alimenta
Lembrando-lhe tais momentos
E a dor que o atormenta
No rosto sorrindo, a couraça
No silencio a mordaça
À mágoa que dentro de si quer calar
Não há tempestade sem bonança
Para fazer serenar o mar
Na verdade
Se calhar,
Só saudade
por ter de acabar
quinta-feira, 3 de maio de 2012
OUVI PALAVRAS AGRESTES
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Foto: Diamantino Carvalho
terça-feira, 1 de maio de 2012
HOJE 1º DE MAIO
Hoje 1º de Maio Dia Mundial dos Trabalhadores, e segundo as tradições na noite de mudança de trinta para um, se põem Maias nas portas para afastar o “carrapato” ou proteger as casas de malefícios. Actualmente seria bom que, em vez do “carrapato”, nos afastasse da crise e dos “Coelhones” que actualmente entram pela casa dos portugueses, indo-lhes aos bolsos.
Este dia foi assinalado pela abertura das grandes superfícies comerciais, outrora fechadas, e pelas campanhas vergonhosas de algumas, que escolheram o Dia do Trabalhador para oferecerem enormes descontos, dividindo as vontades das pessoas, e assim, ao mesmo tempo, pressionando os seus trabalhadores a apresentarem-se ao serviço.
Pelo sim e pelo não, os trabalhadores deram resposta na rua manifestando-se aos milhares em todo o país, lançando alto e bom som a sua discordância contra as politicas do governo, e do grande capital, na destruição das conquistas e direitos dos trabalhadores conquistados após 25 de Abril. Este é o objectivo número um do governo e do grande capital. A crise existe e foi criada pelo poder económico. O dinheiro não foi queimado, nem se evaporou, mudou foi de mãos, então por que razão querem que o povo pague?
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Foto: Diamantino Carvalho
segunda-feira, 30 de abril de 2012
DESFAZENDO O VAZIO
Por vezes, bancos esperando serem ocupados, uma pomba observando, um sol forte poderoso desenhando o espaço. Tudo isto cheio de cor, mas vivo, mesmo vivo, só a pomba e as plantas que só comunicam de forma abstracta. A realidade...ou na realidade, é um espaço esperando ser preenchido por alguém que interaja, recebendo descanso, bebendo calor, vibrando com a cor, desfazendo o vazio.
Dizem, os espaços verdes, serem uma espécie de pulmão da cidade, seria bom que todos tivéssemos a consciência disso, especialmente para bem da pomba, do jardineiro e suas plantas, do banco e da sua conservação e de todos nós e a nossa saúde. Mais reflexão, ou meditação, aproximação com a natureza, menos stress, mais qualidade de vida.
domingo, 29 de abril de 2012
Akzhana Abdalieva
É um prazer especial ver a sua pintura, com as linhas que desenham as formas arredondadas em contínuo, com o domínio da figura humana em posturas que fascinam o nosso olhar. A riqueza de cor talvez reflexo da sua pátria, é rica e harmoniosa. Em alguns quadros os panejamentos levam-nos à pintura de Gustav Klimt, e em reminiscências num ou outro quadro a Picasso.
Não encontrando grande informação sobre a artista consegui obter alguns dados de curriculum que dizem da sua importância.
Akzhana
Almaty Art School 1984-1988
1989-1994 Almaty College of Applied Arts
1994-1999 KazNAI (cazaque Academia Nacional de Artes)
2000-2004 Master of Universidade Mimar Sinan em Istambul
2004-2009 Doutorada na Universidade Mimar Sinan em Istambul
Hoje Akzhan grau de doutorado em Artes Plásticas. Suas obras estão em coleções particulares na Suíça, Cazaquistão, Alemanha, EUA e outros países.
sábado, 28 de abril de 2012
O FIGURÃO, VIROU FIGURINHA
Estou tão farto deste senhor, que ao ver este texto num blog não resisti a publicá-lo.DC
Soares, por J. Rentes de Carvalho
«Seria longo detalhar as razões da minha antipatia por Mário Soares como figura política. Datam de Paris, no começo dos anos 60, e permanecem. Tenho também pouco apreço pelos que, ingénuos ou ignorantes da História, e dizendo-se eternamente gratos, se lhe referem como "o homem que nos trouxe a Democracia." Não trouxe. As peripécias são outras e menos simples. Mário Soares desagrada-me ainda como pessoa, pois simboliza aquilo que detesto e de que desdenho na burguesia portuguesa: a falsa pachorra, a jovialidade de pechisbeque, o modo paternal, o sorriso pronto, a mãozada, os Ora viva!, a festinha aos humildes; por detrás de tudo isso a ganância, o cálculo frio, o desprezo do semelhante, a presunção, o sentimento bacoco de casta, os rapapés, a mediocridade. O senhor Mário Soares sabe o que dele penso. Isso, contudo, parece não obstar, pois tenho recebido os seus livros, autografados, e surpreendeu-me um Natal, enviando um retrato seu, dedicado "Ao meu caro amigo J. Rentes de Carvalho". Surpresa tive-a também um dia em 1998, quando o competente e muito amável João Rosa Lã, então nosso embaixador em Haia, me telefonou anunciando: - O Mário Soares vem cá almoçar e pediu que o convidasse, pois quer muito falar consigo. Lá fui. Seríamos cinco ou seis, mas o cordial ex-presidente como que se apoderou de mim e, esquecendo os outros, esmiuçou longamente, miudamente, a sua visão da política portuguesa. Fui ouvindo, e em determinado momento, para rebater o que ele afirmava disse-lhe: - Mas isso, senhor presidente… - Já não sou presidente! Chame-me Mário. Agradeci, recusei, disse-lhe que da minha parte acharia indecorosa a familiaridade, se bem que... - Se bem que? - Dá-se o caso que o senhor presidente e eu já dormimos na mesma cama. Contei-lhe depois a história, resumindo os detalhes e escondendo o remate.
Deve ter sido em Setembro de 1948, os dezoito anos feitos, que o Dr. Armando Pimentel , amigo e mentor, me convidou para um jantar em Macedo de Cavaleiros, onde padres ricos e proprietários abastados iam festejar a excepcional colheita de trigo e centeio desse Verão. De Estevais a Macedo leva-se uma hora, naquele tempo dava a ideia de se ter feito grande viagem. Amesendámos na então já nomeada Estalagem do Caçador. Éramos muitos, eu o único jovem, sei que se começou com alheiras e chouriças, a seguir perdiz, borrego, leitão. O resto sumiu-se da memória. Uns trinta anos depois aconteceu-me passar por Macedo, almocei na Estalagem, iniciando uma espécie de ritual, e desde então vezes sem conta lá comemos e pernoitámos, criando boa amizade com a D. Maria Manuela, que com simpatia e perícia dirigia o estabelecimento. É ela que nos acolhe uma tarde de muito calor, manda preparar uns refrescos e, enquanto beberricamos e coscuvilhamos, diz que nos reservou um quarto especial. Sobe connosco, abre a porta, e anuncia com maliciosa solenidade: - O Mário Soares dormiu aqui ontem! No fundo achamos desagradável a nova, é como se as exalações do corpo e da personalidade do homem ainda flutuem no aposento, mas sorrimos, dizemos umas palavras de circunstância, a D. Maria Manuela despede-se. A empregada, transmontana, retornada de Angola, espera que a patroa desça, encosta a porta, e rosna, truculenta, ao mesmo tempo que nos agarra pelos braços: - É verdade! O filho da puta dormiu aqui! Mas estejam descansados, que já desinfectei!»
(Retirado do blogue Tempo Contado, da autoria do escritor)
sexta-feira, 27 de abril de 2012
SOBRE O AMOR
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É tão bonito dizer amor
como triste não o ter
Porque não desabrocha essa flor
Para o meu coração ceder.
Na verdade é muito pretendido
Nem a todos o amor toca
Amor, amar com sentido
É muito mais do que uma troca
Se é algo tão forte que nos toca
Todos deviam possuir e com ele aprender
A dar sem nada receber em troca
Sentindo a alegria de com ele viver
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Foto: Diamantino Carvalho
quinta-feira, 26 de abril de 2012
NÃO QUEREMOS "DONOS DE PORTUGAL"
Ouve-se a voz que se vai entranhando em nós, e as lágrimas vêem aos olhos, com as lembranças que nos trazem. As lutas em defesa de uma sociedade melhor, com a ditadura à perna, com o risco de prisão e tortura. As reuniões clandestinas, a propaganda metida debaixo da porta, o 1º de Maio que se levava à pratica, sem paragem ou feriado autorizado, com policia nas ruas e a Pide. As actividade dos estudantes e suas reivindicações, as greves, as pichagens nos muros e nas estradas, a troca de livros proibidos, a censura. Tudo se mistura rapidamente na cabeça.
Hoje, alguns indivíduos ostentam cravos na lapela, escondendo hipocritamente, as atitudes e comportamentos de profundo desrespeito pelo povo e pelo esforço heróico de muitos que lhes deram de bandeja a liberdade. Alguns, que hoje nos governam, nunca viveram na pele a ditadura e gozaram em pleno os benefícios e apoios num país livre. No entanto, hoje, vivendo em plena democracia que nada fizeram para a conquistar, vem dizer ao povo, que temos de fazer sacrifícios, e passar uma esponja sobre tudo aquilo que são direitos trazidos à luz do dia pelo 25 de Abril.
Como se pode ver no vídeo os "Donos de Portugal", não é o Povo o "Dono" do país nem responsável pela crise que se vive e é criminoso que a ele lhe seja atribuída, obriguando-o a pagar com sacrifícios enormes.
Temos de voltar a congregar vontades, encontrar soluções e pontos comuns de entendimento, entre todos aqueles que acham que o Abril deve permanecer, no sentido de mantermos os direitos conquistados e repor todos aqueles que nos tiraram.
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