quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ouvindo o seu ninar



Nas noites adormecia
Ouvindo o seu ninar
Em voz que esmorecia
No cansaço do falar

Com atenção ouvia
As palavras do deitar
Com algumas me desiludia
Por delas nada tirar

Em outras eu vibrava
E pela noite repetia
Até ao sonho que chegava
E me levava ao nascer do dia

Num dia esquecido
A voz não chegou
Ela se tinha perdido
Em alguém que encontrou

Hoje lembro a sua voz
Nas noites sem dormir
Sem saber a razão de em nós
Se ter perdido o sentir

dc



 

E o amor ...




Colado o corpo
Colada a boca
Sente-se a “carne”
Meio louca.

Forte atracção
Às claras exibida
E sorvida
Com sofreguidão.

E o amor..
Importa ou não?

dc

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Te Sonho



         
          Te sonho
Sentindo teu rosto nas minhas mãos
          Te sonho
Nos meus braços aconchegada
          Te sonho
Num acordar sem o teu lugar vazio
          Te sonho
Perfumando o ar da madrugada
          Te sonho
Dias e noites a fio
          Te sonho
E me perco das realidades
          Te sonho
E acordo com saudades
          Te sonho
Sem saber se foste a insana paixão
          ou se te sonho
Sem noção da realidade ou ilusão.

dc



sábado, 2 de janeiro de 2016

Uma vida por outra





Ela morre
Ele nasce
Ele sofre
Quando
Ela morre

Quando
Ele nasce
A Vida
Acontece
Ela perece

Um coração
Novo bate
Um pára
Outro dispara
Perde a razão

O espanto
A tristeza
O desencanto
O pranto
A incerteza

A morte
E a sua frieza
O nascimento
É a vida
E sua beleza.

dc






Nas veias de alguém





Na voz que se aguarda
Na distância sentida
Na vivência parda
Na vida inconseguida

O sonho se mantém
O querer não é partir
O viver é estar além
Nas veias de alguém

Não termina dizendo
Circula por dentro
Mantém-se no centro
Resistindo ao tempo

dc


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mais um que finda..



Coloquei as rabanadas em cima da mesa perfumando o ambiente com o seu cheiro doce, era única coisa que eu queria que existisse para me lembrar a época natalícia e para fazer a diferença. Nada mais a registar para além da necessidade de silêncio e pausa para repensar quais as etapas positivas no espaço dos trezentos e sessenta e cinco dias decorridos. A meta é o objectivo, mas as etapas é que enriquecem a caminhada. Celebrar a passagem de fronteira entre um ano que acaba e o que começa não faz muito sentido, se constatamos que vamos para mais velhos e que não chega um dia de sorrisos, abraços e frases de circunstâncias, para apagar todo aquele tempo em que lhes fomos indiferentes. A única coisa que vale a pena, é a aprendizagem e o conhecimento que adquirimos sobre o mundo e os comportamentos das pessoas que nos rodeiam, entre eles os muitos familiares e amigos e conhecidos de circunstância. Temos os que nos amam, alguns nem por isso, outros que nos desiludem, e ainda outros que nos esquecem em favor de interesses vários e nem sempre por razões aceitáveis. Todos os anos haverá coisas boas e más para recordar e a isso chamaremos crescimento, realidade e outros palavrões, ou tiradas, filosóficas. Será sempre assim todos os finais de ano. Comam, bebam, abracem quem puderem e divirtam-se é para isto que estas coisas servem. Bom Ano Novo.

dc

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Além do Beijo




Um beijo além do desejo
Um desejo além dum beijo
Um desejo por alguém
Um alguém além do beijo
Um amor por alguém
Num beijo além do desejo.

dc