Não sabes, mas eu
fui lá, Esperei no tempo, não na esperança, pois desta teria, ou deveria estar
mais convicto...não sei se foi a chuva, ou o vento que tudo fez parar... fiquei
sozinho em silêncio, como se deve ficar...sem nada me apoquentar, Nada se pode fazer
quando a vontade não chega e na carruagem dos dias a carga é intensa e as
respostas são lentas... Olhei o brilho que vinha das barras de aço, a ferrugem
depositada nos madeiros, anegrura
do óleo no cascalho onde sobressaiam os parafusos poderosos de fixação... Olhei
os fios eléctricos pendurados do céu, que faziam a malha que decorava o espaço
cinzento das nuvens, neles as gotas da chuva, minúsculas esferas brilhantes, depositadas como peças de roupa. A voz de fundo anunciava o vai e vem dos
chegados e dos que partiam como banda sonora do vazio que me rodeava. Virei as costas ao momento, dirigindo-me para o carro estacionado... Deixei que
a chuva entrasse pelo meu corpo, como se me quisesse lavar, ia escorrendo pelo
cabelo, entrando finamente pelo pescoço até dentro gelando o peito... Amanhã tudo será diferente, talvez mudando a espera pela esperança... Na
verdade o tempo não se recupera, acontece!
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