terça-feira, 6 de março de 2012

SECAR O DIA, um trompe l'oeil

Sabia que não se morria de amor. Procurava a indiferença. Secar o dia de pensamentos. quando as memórias apertavam, encontrava defeitos, todos péssimos, todos bárbaros. punha nuvens no céu límpido. fazia as árvores vergarem pelo vento inexistente. via as casas pintadas de preto, essa não cor, que existe pela semelhança com inferno da nossa alma. punha esgares no lugar dos sorrisos, olhos com íris de vidro, sem vida. tornava inválidos os saudáveis. no entanto... tal esforço se esfumava. Um simples olhar sobre uma fotografia, tudo transformava. as imagens, os cheiros, as palavras, surgiam do nada e fabricavam histórias, que ele queria e se negava a aceitar. do nada surgiam os seus olhos verde-água, o desenho da boca, a expressão do seu rosto...
Na verdade, era mais uma vez a sua mente a atraiçoá-lo, ela não existia, nada existia, tudo era um trompe l'oeil

Um aparte, a voz desta cantora "mata-me", independentemente do que canta.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O TEMPO, esse malvado sem retorno

A noite começa a cair. O domingo está a findar. Os carros diminuem nas ruas, as pessoas começam a regressar ao lar, preparando-se para nova jornada de trabalho que se avizinha. No ar, misturado com cheiro da madeira queimada das lareiras acesas, sentem-se os aromas de vários comeres em confecção. As janelas das casas se iluminam e no lusco-fusco do pôr do sol, que cai sobre os campos limítrofes à cidade, as árvores desenham figuras fantasmagóricas de beleza ímpar.
Torno-me nostálgico e apercebo-me da rapidez com que o tempo passa. Sinto cada vez mais a necessidade de o aproveitar, tirando partido dos momentos de rara beleza que a nossa volta se desenrolam. Saborear, cada vez mais, o presente, como uma dádiva única. deixar que o futuro, se acontecer, seja carregado com as memórias do que de bom se viveu.

domingo, 4 de março de 2012

FIM DE TARDE anúncio de Primavera

Fim de tarde de inverno, sem nuvens e sem chuva, que já vem anunciando a Primavera. Nas árvores começam a despontar as flores, em tons pastel, enriquecendo de tonalidade os espaços verdes, dos vários parques da cidade. Poderia ser um bom prenuncio, mas com tão pouca chuva, talvez não.

sexta-feira, 2 de março de 2012

AVISO ESCOLAR??

Constrói-se uma escola que custa milhões de euros ao país, para que tenhas as condições XPTO, e depois, não se sabe bem por quê, afixam-se cartazes de aviso, na estrutura exterior do edifício, como se não existisse um sítio mais adequado para este efeito, ou não houvesse dinheiro para comprar e colocar um painel informativo, Será que quem dirige esta escola, não se apercebe da imagem que transmite, não só para os seus utentes, mas também para os pais, familiares e população que ali passa?.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ASSIM SE PERDE....


Entra devagarinho, entre conversas cruzadas, vai-se alojando nos pequenos espaços que vai encontrando, vai-se agarrando à pele, aos cheiros, às imagens, aos mimos, às carícias e vai criando memórias, presença, ombro, até que entra no ADN, e depois... quando damos fé.. a paixão (ainda não é amor). depois....torna-se perverso, se não evolui para as fases seguintes, se não é correspondido, ou se, se inventam medos, tempos de espera, desculpas estranhas. No entanto, pior é abdicar de usufruir em nome de.. para que... tendo em conta que...neste momento...enfimmm. É assim que muitas vezes se perde, um possível, grande amor, porque antes que ele aconteça, já se lhe cortam as pernas.

GRAFITE



Olho os grafites nas paredes, e fico embevecido pela criatividade daqueles que se empolgam criando assinaturas “tags” e imagens.

Penso no desperdício daquelas pessoas, que se dedicam a “sujar as paredes” com cor, formas e mensagens quase subliminares.
Sabe-se que os grafiteiros, actuam em contravenção. Nisso encontram a “gozo”, mas seria bem melhor para todos e com ganho de espaço para actuarem, se eles aproveitassem a sua criatividade para desenvolver acções em locais, em que a visibilidade seria muito maior e contribuiriam para embelezar o ambiente da cidade como já fazem alguns por esse mundo fora. Muito ganhariam em colorido, paredes, até agora despidas, e outras tornar-se-iam mais interessantes, usando o chamado “Tromp de oeil”.


Grafite ou Graffiti (do italiano graffiti, plural de graffito, "marca ou inscrição feita em um muro") é o nome dado às inscrições feitas em paredes, desde o Império Romano. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade - normalmente em espaço público.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Às vezes a noite diz-nos isto



A noite ainda não evoluíra o suficiente para fechar os olhos e descansar. De repente lembrou-se de lhe escrever. dar-lhe uma palavrinha.

“Sabes gostava de fazer amor, do teu amor. gostava de navegar no mar do teu corpo sentindo a ondulação do teu desejo, de ouvir a tua voz apelando urgência...e depois olhos fechados, um sorriso aflorando o teu rosto e a voz morna soando nos meus ouvidos num murmúrio desconexo.

Vivia-te na distância como se perto estivesses, temendo perder esses momentos que marcaram o prazer de te conhecer.

Por vezes, a tua voz arrefecia meu ânimo, mas não arrefecia a beleza das imagens que possuía na minha mente, nem o entusiasmo de te querer. Sabia da inconsciência do teu feito. Pensando teres o mesmo querer que eu tinha no meu peito”.

Pensava...agora o que resta...um vazio enorme, e a percepção de que as frivolidades  se sobrepõem à doença do gostar, adorar, amar...

“Nesta era em que tudo é fabricado, em que nada é natural, em que nada é puro; em que os primeiros beijos se trocam por telemóvel, se fala por sms e os ditos «encontros românticos» acontecem no cinema, entre um balde de pipocas e um copo de coca-cola, nesta era, que já não é minha, já não é tua, já nem é nossa; deixa-me falar-te de amor. Não quero falar deste «amor» novo, feito de «roda-bota-fora», que nasce podre e é vazio. Não te quero falar do amor para passar tempo, que se joga na Internet; nem daquele que se conhece num bar ou numa discoteca.” ...

“O amor que me ensinaste é puro, é natural, é biológico, sem corantes nem conservantes. Mas deixa-me contar-te um segredo: nesta era, que já não é minha, já não é tua, já nem é nossa; o nosso amor, ainda encanta! “

Ana Rita da Silva Freitas Rocha, in 'Textos de Amor – Museu Nacional da Imprensa'