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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Porque leio nas paredes 2

 

Olho, fico parado, observo e penso. A revolução passou por aqui e deixou os seus sinais naqueles "graffitis" que gritam sugerindo futuros. Alimento da revolução numa expressão com sabor a povo. Bocados de vida expressos em frases e imagens diversas, desenhadas por mãos trémulas, usando a tinta e pincéis com a inexperiência dos amadores, para quem o discurso verbal se enrolava na garganta. O seu dizer era carregado de cores vibrantes de leitura fácil, dando força à mensagem que a cada momento respondia às necessidades e caminhos por onde a revolução tinha de caminhar. A criatividade andava à solta, democraticamente todos roubavam um pouco de espaço nas paredes, agora telas da sua mensagem. Cada um com o seu propósito, cada organização programando a luta e as suas acções, ora convergentes, ora opostas quanto aos caminhos a seguir, muitas vezes críticas; no entanto, na maioria queriam o mesmo e iam tenteando procurar chegar ao povo que queriam livre e consciente de si próprio. Em alguns lugares deu-se espaço às crianças para se soltarem e lidarem com o seu génio descomprometido, dando largas à imaginação, desenhando alegrias várias, em inocentes traçados, onde as suas poucas memórias eram relatadas. Lamentavelmente, com o tempo, alguns de garganta fechada, em nome da higiene do espaço, foram colando papéis e tapando com tinta alguns "graffitis" mais expressivos, para evitar que as memórias mantivessem o povo atento às conquistas e ao significado da revolução. Ao contrário daqueles, como eu, que, quando elaborados, pensávamos deverem existir para todo o sempre como caderno de história da Revolução de Abril.


dc