Impressionou-me a estrutura de ferro a suportar a alvenaria deste antigo casarão de lavrador rico. Alguém se preocupara em evitar que o tempo e a intempérie o fossem destruindo. Só me fez confusão, que depois de tantos anos, continuasse esperando que alguém o salvasse efectivamente. Problemas de herdeiros, abandono por dificuldades económicas? Nunca saberei, não estava a fazer trabalho de repórter, ou qualquer levantamento arquitectónico, para me dar ao trabalho de investigar. Esteticamente a imagem continuava a impressionar-me e a atrair o meu olhar. Naquele momento só isso me bastava, a razão porque se mantinha naquele estado, talvez fosse mais complicado descobrir, como tal fiquei-me por aqui, registei o momento.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
UMA FOTO
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Foto: Diamantino Carvalho -
domingo, 21 de outubro de 2012
DEDILHANDO LETRAS
Dedilhando nas letras procurando as palavras certas, foi percorrendo o tempo construindo as frases, como se na marginal do rio procurasse a foz.
Os pensamentos surgiam como cardumes em águas revoltas das quais o pescador, de onde em onde, encontrava o peixe incauto iludido pelo isco.
A caneta vibrava e a linha ficava tensa evitando deixar fugir o precioso texto pescado de tão fundas e agitadas águas.
É uma luta dura entre a musa que inspira e aquilo que se realiza.
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Foto: Diamantino Carvalho -
sábado, 20 de outubro de 2012
SEI que HOJE É SÁBADO
Sei que hoje é Sábado, não o dia de todas as coisas, mas o dia de fazer muitas coisas. No entanto agarro-me as coisas comuns, porque hoje é Sábado e pouco ou nada difere dos outros dias, neste tempo de vacas magras, onde só o ar que se respira ainda não custa dinheiro.
Como dizia a senhora do reclamo, “no meu tempo”, o sábado de manhã era preenchido com as compras e com o ajustar das coisas deixadas por fazer durante a semana. De tarde, a meio da tarde, saía-se para lanchar e dar um pequeno passeio. A noite era para estar com familiares, ou amigos, ou na indisponibilidade destes, gozar um momento mais intimo
Aqueles tempos, em que o fim de semana servia para carregar as pilhas, já lá vão, agora os fins de semana perdemo-los olhando a televisão, ou dando um passeiozinho pelas ruas do bairro, onde vamos observando a deserção em massa, que os letreiros vende-se, ou aluga-se, dão sinal nas janelas. Há sempre a alternativa de ir ao shopping mais perto, passar umas horas a olhar nas montras o que se não compra, e enganar o prazer de um lanche, com um simples café, que se toma demoradamente para “render o peixe”.
A vida de quem trabalha nunca foi fácil, mas hoje está um inferno, e inferno por inferno, mais vale fazermos asneiras, que compensem tão fraca estadia nesta coisa que se chama terra.
Por isso digo vamos lá a pecar. As rezas estão pela hora da morte e não nos levam a lado nenhum, por isso, pecar não tem custos. Façamos o que nos der na real gana, pelo menos dentro portas. Andemos nus pela casa, coloquemos a música do Abrunhosa, “e agora o que vamos fazer? Talvez foder, talvez foder”, no máximo volume, bebamos um copo de vinho, assemos um chouriço, demos quatro arrotadelas, bem alto, e gritemos contra o governo a plenos pulmões. Há noite na cama dêmos o litro, gritando do nosso prazer e aproveitemos para usar a letra da canção para expressar nossas emoções. E tudo isto porque hoje é Sábado.
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Foto: Retirada do filme Ellas
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
EM SILÊNCIO ESPERA
Em silêncio espera que a sua voz surja, que o acalente o seu falar, e possa enfim descansar.
É nesse momento do fim do dia, já entrado na noite, que fazem o agradável resumo da jornada e mais ou menos acaloradamente vão conversando de diferentes preocupações que a preencheram, dos sonhos e perspectivas quando ao dia, ou dias seguintes.
São momentos únicos que fazem com as peças do puzzle se encaixem e se crie uma perspectiva comum.
Às vezes também dói, porque longe, só as memórias dão referências de espaços cheiros, pele, calor, corpo, o que os torna mais ansiosos esperando pelo reencontro.
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Foto: Diamantino Carvalho
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
POR AGORA rESTA em PaZ
Vi a fotografia e me inspirei. Não queria fazer uma cópia, queria que fosse uma outra coisa assumidamente pintada e não um outro retrato da realidade. experimentei diferentes formas de abordagem, com pouca tinta, muita tinta, menos explicito mais explicito, até que cansei. desenhei larguei tinta, fui "sujando" a meu belo prazer. quando já não conseguia ir mais além do que via, desisti deixei que ele ficasse a marinar. Talvez um dia, eu consiga ir mais longe e lhe volte a mexer. talvez sem medo de estragar, mas com vontade de encontrar outro caminho para dizer do mesmo objecto coisas diferentes e mais ricas. Por agora resta em paz.
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Pintura:Diamantino Carvalho
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Os aPÊNdIceS
A passagem do tempo parece não o afectar. Amanhece sempre cheio de gás e disponível, como diz o Dr. As preocupações ficam abafadas pelo sono e a cabeça normalmente fica limpa.
Quando o vejo desejo-o como nunca. Só me apetece beijar, acariciar e percorre-lo com as mãos. Gosto de e sentir aturdida pelo seu vigor, assim como gosto de ser eu a razão desse vigor. Ele estimula-me, do mesmo modo que eu faço com ele. Sinto-me sua companheira e espaço querido de aconchego. É bom quando tudo acontece com o prazer de nos sentirmos plenos, no mais intimo de nós.
É interessante como nós seres humanos nos deliciamos com um tão pouco, mas que por vezes, embora com altos e baixo, vai crescendo com, e, em sabedoria, pela prática constante, o seu entusiasmo até ao êxtase, cujas consequências para o bem estar obtidas são enormes.
Por vezes existem pequenos espaços mortos, alguns que se prolongam, porque o ser humano tem limitações de vária ordem que influenciam o desempenho do casal, no entanto na maior parte das vezes a sabedoria adquirida com a prática e com o tempo tudo acaba por se realizar e obter efeitos bem interessantes.
Nada como viver com entusiasmo, pela pessoa que se gosta, para que uma pequena coisa se transforme em algo grandioso, rico de sensações e emoções.
Importante é saber aproveitar a oportunidade e o entusiasmo, mesmo que por vezes momentâneo.
A vida são dois dias e o de hoje já foi.
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Fotos: Internet
terça-feira, 16 de outubro de 2012
de PÉS ao CAMINHO
Eu a vi naquele caminhar de abandono deslizando o pé, como se procurasse gravar no chão a sensualidade do seu corpo seminu pelo areal da praia. Como fazer para que os seus pés fossem o relato de um momento? Talvez a sensualidade da figura, só me tivesse dado o tema e o prazer de ir pintando na busca de a encontrar.
De pés ao caminho, fui sempre colocando tinta sobre o suporte procurando o resultado. Misturando técnicas, de espátula, pincéis e mãos. Camadas sobre camadas, dando mais espessura à tinta dando mais "tinta" à expressão ao tema. A certo momento é preciso parar, tudo o que se faz, ou acrescenta demasiado, ou estraga o que está feito. É momento de pausa e esperar se horas depois continua perante nós a razão que nos levou a parar. Se assim for o melhor é encostá-lo nos trabalhos concluídos, já não dá mais.
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Pintura:Diamantino Carvalho
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