Como explicar-te, se o calor dos teus
lábios está distante, se as tuas mãos não podem sentir a maciez da pele, se o
teu cheiro se esgota na distância, se o espaço que habito sente a tua ausência,
se tudo o que sonhas se desfaz num acordar a sós, se o caminho que queres percorrer
e as realizações a que te propões ficam suspensos; se não ouves as perguntas,
não podes dar as respostas. As palavras podem escrever-se para construírem
frases, mas são insuficientes para expressarem os olhares cúmplices, as emoções
da presença, a opinião de circunstância, o riso que se solta, a calma depois do
amor e o respirar sereno de quem caminha pela noite com os deuses da paz.
Podes citar frases e imagens que seduzem, que respondem às tuas inquietações ou
são alertas de quem cresceu e viveu de pequenas ou grandes dores, ou até
descrevem a aprendizagem que te trouxe. No entanto, não podes ter a certeza de que
quem te observa entende o suficiente se a distância ainda existe.
dc
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