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sábado, 21 de março de 2026

Silêncio ou avatar?

    

Um dia te aperceberás das razões do silêncio. Nesse momento entenderás as não respostas ou as interrogações existentes no que lês, naquilo que comunico e na sua abstração. Verás que a idade importa, que a beleza não me favoreceu, que o meu corpo não foi desenhado dentro das expectativas do comum das pessoas que nos rodeiam e que nem sempre reparam se existem outros valores ou qualidades. Entenderás como o diálogo é substituído por monólogos intermináveis, que ocupam uma grande parte da actividade cerebral, e como eles se desenvolvem em caminhadas intermináveis, ocupando a energia corporal e o desenho de discursos que nunca serão expressos. É uma forma de amor encoberto, em que não se perde a cara e não se pode ser recusado. Ele é a ausência do objecto da sua existência, é o sustentáculo para que a esperança não se perca. Raras vezes, mas as suficientes para pelo menos sugerir que, embora o silêncio seja real, não significa que não sejas motivo e a maior carta do baralho das minhas conjecturas. Podia desenhar um avatar que simulasse o que queria ser perante os teus olhos, que fosse a resposta ideal para te motivar interesse e não passares ao lado daquilo que sou. No fim, todos nós temos silêncios inexplicáveis, nem sempre na altura certa ou por razões visíveis, mas sempre razão duma pausa para tentar descobrir o rumo a tomar.

Ler é um caminho para sonhar e descobrir outros mundos e pensamentos ou o mar na sua imensidão, tão largo, como longínquo o seu horizonte; ele permite-nos navegar tão longe, sem que barco exista que o possa superar. Deixando-me enlevar por ele, vou ao fundo do pensamento, das emoções, como um qualquer peixe nas profundezas do oceano. Nesse modo de estar, fico com a certeza de que um dia chegaremos juntos ao fim deste silêncio.

 

dc

 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Um "nós" por DesAtar

Nem sempre falo, muito menos escrevo, da nossa estória vivida de norte a sul, e tenho saudades de teu chamego. Num suspiro solto, olho o céu azul, lembro as palavras doces em sossego, que nem as nuvens se atreviam a quebrar na rotina do enlevo. Na superfície curva mais além, no horizonte, os olhos se pousam e entre nós, respira o verbo amar, no trocar de discurso dos amantes sobre o carregado fundo azul. As nuvens são fáceis de volatilizar da nossa paisagem, não as queremos a perturbar-nos, sem lamento o vento as vai levar.

A verdade, é que não sei desatar este “nós”, que ficou ao longo do tempo travando, o desenlace.

dc

 

 

 

domingo, 11 de maio de 2025

Porque a vida acontece.

 

Começou com um quero, com a força, dos sorrisos carregados de promessas, que se perderam fáceis de sentido, perante um simples grão de areia, trazido pelo vento no seu correr.
Foram pouco mais de setenta e duas horas, debruadas de palavras de encanto, criando cenários, colados num poderoso sentimento positivo, resumindo tudo, na força do eu quero(!) desenhando horizontes. Setenta e duas horas passaram até que o grão de areia, invadisse a consciência, e tomando-se de razão, impediu, a viagem ao LuAr em alto mar.
Desfeitas as perspectivas, que aquele mísero grão de areia interrompera, a única coisa que restava, era regressar à terra e não deixar que o fracasso do empreendimento, deixasse marca. Caminhar, seria o modo de procurar acalmar e encontrar respostas. Podia distrair-se olhando em volta, fixar-se em pequenos pormenores, esquecidos no comum dos dias. Entendera necessário, esse ir sem destino, para que a manhã se alongasse, afastando de si o fracasso da viagem e os seus fantasmas. Assim, o pensamento vagueava, sem se fixar demasiado na dor fininha, que adentrava bem fundo. Os pés pareciam fluir, de um passo ao outro, com firmeza, mantendo o equilíbrio do corpo, pronto a enfrentar o vendaval de agitada loucura e emoções. Sentia-se um monge de Shaolin, deslizando os pés sobre a folha de arroz, sem deixar rasto. Queria ser invisível, ao outro mundo que circulava perto, ganhando tempo e espaço para perceber, que ainda há a pessoas que acreditam no ser humano, nos seus erros e acertos, alegrias e tristezas, sem desistirem fácil do seu, quero, como desejo, como força de vida.
Porque a vida acontece.

dc