terça-feira, 6 de janeiro de 2026

E pronto, está dito

 

Encantado com esse teu avatar, que se atravessa no meu caminho e na mesma aventura, dentro destas páginas, feitas de pontos binários, onde somos somente uma ideia, um rascunho da realidade. Somos a vulgaridade que se faz sentir, entre "likes" e "emojis", onde os cheiros são ausência e as ideias são a multiplicação de partilhas, com textos e imagens, cujos volumes se perdem achatados pela bidimensionalidade. Deformado olhar, que se dilui na imensidão de solicitações e sugestões, que surgem em catadupa e nos colonizam, nos tornam indiferentes, com bonomia plástica perante o caos e a violência. Somos a notícia, da não notícia. Somos alimento de publicidade enganosa: “venha já chatear connosco”, como se não tivesse melhor na cabeça, do que vir para aqui “chatear”, nas redes sociais. No entanto, o teu avatar diverte-me porque não me ilude, alimenta a curiosidade, ao mesmo tempo que se descredibiliza, quanto à responsabilidade do que diz e apresenta. Torna-se assim divertido como jogo de paciência, onde se procura, encontrar debaixo de uma pele possível, algo mais do que aparentemente quer dizer. Assim, se usa este espaço como lugar de partilha, de distração espiritual e humorística, página de comunicação de pensamentos e preocupações que o algoritmo tenta anular. Persisto na ideia e acredito que de onde em onde, se pode furar o bloqueio dos mandantes e possamos ser escutados, lidos apercebidos, avaliados, julgados, positiva ou negativamente, pelos viajantes que, como eu, navegam nesta comunicação fria. Assim, assumo que o meu passeio, pelas páginas desta rede como adjectivo social não é em vão. Tento, presumo, que com isso motive muitos mais a não adormecerem na narrativa de quem manda e acreditem na sua capacidade e intuição para encararem as melhores opções perante a sociedade. É bom ver caras bonitas, físicos bem proporcionados, mas não adianta muito se não tiverem atrelados, outros conhecimentos, que sirvam como referência, ao que tipo de amizade que poderá ser vivida, mantida, acalentada, conjugando diferentes modos de pensar num caminho de diversidade e aprendizagem.

 

dc

 

domingo, 28 de dezembro de 2025

Cravo foste na nossa vida


Naquele dia 27 de dezembro, em que o teu choro recém-nascido, se tornou presença nas nossas vidas, assumimos a responsabilidade que é formar um ser humano. Não sei ainda, passados estes anos todos se fizemos o nosso papel como deve ser, mas de verdade, nos esforçamos para que tal acontecesse. Tu que foste a revolução na vida de um casal jovem, vivendo uma revolução de cravos na mão. Cravo foste na nossa vida e até hoje perfumas e nos dás força para viver.
Actualmente são maiores os desafios e o amadurecimento a que somos forçados, o coração endurece e com isso as formas de nos expressarmos. A saúde, as dificuldades económicas, e a sociedade no seu todo se alterou, infelizmente não para melhor, mas a escola da revolução do passado e o crescer, na vida que tens vivido, deram-te as defesas, que são a base da tua tenacidade e capacidade para superar os desafios que se te deparam.

É difícil escrever sobre a importância da tua presença, na minha vida. Hoje não és somente filha, esposa, mãe, és também alguém responsável que vela por outros, que também são pais e filhos de alguém. Ao aperceber-me disso, reparo que afinal já dobraste a da data da revolução dos cravos e tudo o que isso significa.

Afinal, as palavras navegam nas frases deste texto, são só um pretexto para te dizer, que por vezes, por estupidez, ou comodismo, não nos expressamos devidamente. O amor é uma escolha, ela se mantém nesta responsabilidade de ser pai. Sabes que contas comigo, para te apoiar a superar, os momentos fáceis ou difíceis, sem deixar de acreditar que és forte o suficiente para os enfrentar, mas que o abraço de um pai sempre é um conforto extra, nas nossas vidas.

Beijinhos um XI coração do tamanho do mundo e até mais logo.


DC 

28DEZ25

PS. um dia depois, porque um crash me surpreendeu. Hoje não falhou

 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Só, gosto de ti

 

As rugas marcam-me o rosto, os cabelos clareiam, o tempo passa de modo e inevitável, no entanto, a vontade de te descobrir e saber porque me fazes querer-te, é bem maior, que o desejo de perdurar vivendo por aqui, sem poder dizer-te, gosto de ti.

dc

sábado, 6 de dezembro de 2025

Sabendo o impossível


Sabendo o impossível, mais difícil é poder revelar, o que dentro se desfaz todos os dias. Gostaria que fossemos mais do que um olá. Que nos pudéssemos ver e conversar, que não estivéssemos tão longe um do outro, não pela distância, mas pelo tempo que cada um tem para usar aproveitando para se abrir ao conhecimento. Não é preocupação, se a tua atenção se prende na minha figura, ou forma de estar, porque amar pode existir mesmo, que só de um lado, no segredo daquilo que no outro motiva. Amar, pode ser também a capacidade, de deixar que o outro possa ser feliz com as opções que faz. Diariamente confronto-me com as tuas frases, que pretendem ser mensagem, mas são demasiado abrangentes, ou ambíguas, para que entenda o teu querer e quais os objectivos desse fraseado. Por vezes sorris e respondes, outras vezes, ficas longe como se não existisse quem te escuta, ou lê. Tento entender nesta modernidade, mais propriamente estas tecnologias de comunicação, em que o importante é nos mostrarmos como se fossemos pessoas felizes. Na verdade, são infindas as situações em que a fachada, é só a cara da casa reconstruída por dentro, ou que esconde as ruínas do coração dilacerado por emoções várias.

 

dc

 

sábado, 29 de novembro de 2025

Nem sempre o humor é fácil

Nesse vazio de gargalhada plástica, de frases incoerentes, imagens disparatadas semelhando humanos, a música vai mediando, entre os pensamentos desconexos e a realidade que magoa e traça sulcos, nesses diferentes caminhos, onde o sangue corre nas veias e atinge o alvo. Raciocínio absurdo, porque não? A vida tem momentos tão absurdos, que nos faz ignorar perguntas, com medo da dureza das respostas. Nem sempre o humor é fácil, se fosse teria de vir acompanhado de cinismo, para poder dizer sem receio de magoar. O sorriso, ou a gargalhada esperta no comum, vem de ferir o outro, que não se apercebe da sua insuficiência e é motivo da piada fácil. Quase sempre esse humor fácil é fruto de um cinismo e ignorância. É uma história, fruto da escorregadela na casca de banana, ou da inocência de quem se revela perante o outro. A imagem, é o enquadramento de cena onde ele ganha os sorrisos alheios. Sim, aprecio muito mais o sorriso simples de quem nada teme, que não se gasta em gargalhadas de fácil cometimento. Sim, algo que sai de dentro, aquela a alegria que fluí do prazer de estar e viver o momento presente, mesmo que só, como aquela imagem brincalhona do gato, desfazendo o rolo de papel higiénico, ou espreitando com a curiosidade de quem se diverte, ou ainda da possível distração, de escovamos o cabelo com a escova de dentes, como espectadores do insólito.
Tudo, assim escrito, porque sendo sábado eu sorrio, agarrando a hipótese talvez ridícula de que um dia será possível, que o prazer do sorriso inocente, livre, sem constrangimentos, aconteça sem que não sejamos um avatar que quis esconder a realidade.

dc


domingo, 23 de novembro de 2025

Olho sem ver, leio sem ter letras


Sei que risco e desarrisco, correndo o risco de nunca acertar, mas que hei de eu fazer, se até tenho receio de começar. A página de papel, em branco, implica a escolha do que escrever, as letras a desenhar, a criatividade do gesto, o cheiro do papel e da tinta nas letras a escorregar. Por fim, palavras alinhadas, pensamentos desalinhados, como possibilidade. As palavras dizem, expressam(?) o que parece certo, e encontram-se alinhadas como se tudo convergisse, mas os pensamentos se contradizem, e nesse caminho do certo ou errado, tudo é desconcerto. Na verdade, penso que posso dizer-te o que penso, dizer-te, amo-te de modo intenso, com as palavras certas. Pode não ser ideia acertada, que perturbe o teu caminho, quando muito tens para andar. Eu, pelo contrário, caminho decrescendo, vou-me afundando diminuindo o tempo, para aqui restar. Nascemos distantes no tempo, em cidades equidistantes, no entanto, próximos no entendimento, ou se calhar nem isso, porque amar é um sentimento sem explicações datadas no tempo, é um lugar de dois, que é, ou será, bom enquanto durar.
Então em que ficamos, como dar o primeiro passo além da escrita. Não me quero calar. Não dizer, é ficar sem saber, se foi errado, ou não, se nem sequer começamos a dizer o que cada um pensa. Volto ao princípio, risco e desarrisco, esmago folhas de papel, escolho nova caneta, até penso usar um pincel, que em tempos usava para desenhar letra, apreciando as cores à mão na paleta, do mesmo modo, assim ia desdobrando, entre pensamento e objecto no decorrer da execução, fosse em tela ou cartão, esperando que a resposta fosse dada pelo coração. Fico por aqui, neste texto com este sarilho, que nem sei resolver, tanto o que me adentra consome. Olho sem ver, leio sem ter letras, e penso sem parar no que tenho que riscar e arriscar.

dc


domingo, 9 de novembro de 2025

Arrisquemos

 

Sim, as lágrimas correm-lhe dos olhos, mas é no interior do seu peito que elas nascem. É ali onde elas se laboram, trazendo mágoa e tristeza. O mundo se derrete na mão dos poderosos e a gente humilde, planta-lhes aceitação fazendo-os mais fortes, tal a aprendizagem que a ignorância lhes permite. Tornam-se apolíticos porque se julgam incapazes de saber dizer, de si. Aceitam fácil, a vozearia dos farsantes, engravatados, e deliciam-se com o seu falar bonito, mesmo usando palavras que mal conhecem, em promessas dum futuro que anseiam, mas dificilmente se cumprirá. Acreditam, porque é mais fácil fugir do confronto, com quem os esmaga e explora. Sentem-se ignorantes incapazes de discurso, por inconsciência do quanto seria suficiente dizer-lhes da fome que os corrói, das casas miseráveis onde vivem, do embrutecimento, da falta de formação e cultura a que são devotados, não aceitando o engano de que o mundo de hoje é outro, que temos de estar a par da modernidade, das tecnologias e têm de se adaptar, como se hoje a exploração dos seres humanos, não tivesse requintes, tão, ou mais graves do que no passado. Sim, ele tinha de ficar triste, por saber que muitos no seio do povo, ainda acreditam que pôr uma cruz num papel e colocá-lo numa urna é suficiente para mudar o mundo onde vivem. Desconhecem, ou tentam não pensar, que os que, inventaram o uso do papel e da urna, são os mesmos que os enterram, na miséria dos dias e que os convencem que não há alternativa, desmobilizando-os, da sua força e capacidade para mudar o mundo, nas lutas e na conquista da rua, como palco do seu descontentamento. Temem os vermelhos e apresentam-lhes os laranjas, mas malaguetas vermelhas e picantes, não enganam e dão melhor sabor aos comeres, no entanto, as laranjas na sua cor vistosa, nem sempre são doces. Somos o povo que tudo conquista na amarra, porque nada lhes é dado, mesmo o que é seu por direito. O povo tem de confiar, pois, até o girassol de cor amarela e brilhante contém no meio o preto, onde se alojam as sementes, que trazem o futuro. Arrisquemos, onde nunca o fizemos por medo, temos do nosso lado a razão, para enfrentarmos essa gente, que sempre fez do povo o seu “putedo”.

 

dc