Dói expressar o que se sente
se não pensamos racionalmente
Dói a falta de coragem de falar
do muito que queremos partilhar
Somos uma porta sem nome
Somos uma casa sem janelas
Somos uns poetas perdidos
Sem metáforas e escondidos
Neste mar de incerteza
entre a alegria e a tristeza
Somos pássaros feridos
Perdidos do seu voar
DC
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
...UMA PORTA SEM NOME
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Foto:Diamantino Carvalho
sábado, 7 de setembro de 2013
MÚSICA tão ABSTRACTA tão TERRA
Vai entrando pelos ouvidos, na calada da noite, O violino, o violoncelo, o piano... tudo correndo como que de improviso, como se a nota de cada instrumento, se entrelaçasse formando um caudal de diferentes rios sonoros, que desaguam na foz que eu sou, Um caminho de estrelas e luas, um mar onde espraio o olhar e me prendo no seu ondular de tonalidades.
Música, tão abstracta e tão terra, Com ela o voar dos pássaros, o correr dos rios, a brisa no seu deslizar, os ventos no seu agitar o rumor da folhagem, É natureza e sua vida em seu movimento, É o sono de criança, é o cheiro do teu corpo, é o abraço de aconchego, És tu no meu leito a respirar, é o som do teu beijar, a carícia sobre a pele a latejar.
O piano dedilhado, sob dedos sábios, indica o caminho onde o sonho acontece, Eternamente repito, ouvindo e tornando a ouvir, como se quisesse chegar a um lugar chamado Infinito, num percurso palmilhado passo a passo.
Silêncio sonoro, soltando emoções em lagos, que se derramam em cataratas de espuma branca, aligeirando a alma e colocando as asas no meu voo.
DC
Beethoven - Silencio
http://youtu.be/39DNaNAMKAU
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Foto: Diamantino Carvalho-ITAIPU
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Especulando O SILÊNCIO
Não sei, se, se apercebem como acontece o silêncio, Dizem que o silêncio é quando não se ouve ruído nenhum do exterior, mas não é verdade, Silêncio é quando dentro da nossa cabeça já nada se manifesta, isso sim é que é o silêncio.
Sentei-me no sofá em “silêncio” e continuava a ouvir um ruído de fundo nos ouvidos, Para fora existia o silêncio da noite, o mínimo ruído parece um trovão, Ouve-se um alfinete a cair no chão, ou as plantas a crescer, Eu sentia, ao concentrar-me nesse tal espaço sem ruído, que dentro, nos meus ouvidos, na minha cabeça, no meu cérebro continuava um barulho como uma fábrica de produção contínua, percepção esta que durante os outros espaços de tempo do dia, não sentia nem parecia funcionar.
Concentrei-me nesse silêncio que não era, esperando respostas, respostas que não podia ter, tal era o ruído que de forma ensurdecedora se apoderava da minha cabeça, Como uma fábrica com as máquinas a funcionar e as vozes de fundo dos operários. E pensava, ali no “silêncio”, “devem ser os neurónios a trabalharem, a dar ordens para os diferentes sítios do corpo do corpo. Deve ser difícil coordenar as diferentes tarefas, para as diferentes partes do corpo. - tu aí, deixa entrar o ar e sair...Ei oha estômago para de fazer barulho ainda há pouco tempo jantaste...coraçãozinho não abuses...lá pelos olhos te mostrarem coisas bonitas, estás proibido pelo médico de exageros...”, e por aí fora, Talvez o ruído seja mais o de um estádio de futebol com milhares de vozes. Para comandar este corpinho... muitas ordens têm de ser dadas.
Assim fui entrando na meditação, que não procurei, fechando os olhos e deixando correr o tempo, perdendo as razões do silêncio e especulação de tudo que tinha pensado, Talvez por isso me esquecia de dar boa noite, tinha medo de interromper as tarefas aos neurónios e acabar por criar uma confusão de mensagens propicias a uma circulação em estrada AVC.
Acordei de repente e meio estremunhado levantei-me do sofá, fui beber um copo de água à cozinha e fui para cama, onde fiquei a contar carneiros com o seu silêncio e as frases em balão mmmé mmmé mmmé.
DC
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Foto:Diamantino Carvalho
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Sei porque sei..
Sei do teu incómodo
com o meu constante falar
e que precisas de mim
pela voz quebrando o teu silêncio
Sei que não me amas
mas precisas do meu amar
quando me olhas
concedendo a ternura
Sei que sentes em ti
toda a minha tristeza e amargura
Sei porque sei e senti
que estás longe e te afastas
Sei que não estou nos teus sonhos
vives a tua realidade do momento
Sei que fazes o luto do nosso “tempo”
para que morra o encantamento.
DC
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"Eucalyptus deglupta".,
Foto: Internet
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
ARRANHO SEmpre..
...... umas frases e fico estarrecido porque elas levaram parte de mim, Tento que elas falem de outros escondendo-me em adjectivos, substantivos e questões gramaticais, para ficarem pela neutralidade dos meus sentimentos, No entanto, depois de escritas, ao lê-las não consigo que elas sejam dos outros, Agarram-se me na pele, penetram-me os ossos e fico mirrando por dentro com medo de voltar a arranhar uma ou duas palavras, que eu gostaria dos outros falassem, Será universalidade das emoções, da linguagem, ou em mim o defeito de não conseguir simplesmente a neutralidade das frases fáceis em português absolutamente correcto?
Como diz Jorge de Sena, abusarei do analfabetismo?
DC
A diferença que há
Jorge de Sena
A diferença que há entre os estudiosos e os poetas
é que aqueles passam a vida inteira com o nariz num assunto
a ver se conseguem decifrá-lo, e estes
abrem um livro, lêem três páginas, farejam as restantes
[nem sequer todas] e sabem logo do assunto
o que os outros não conseguiram saber. Por isso é que
os estudiosos têm raiva dos poetas,
capazes de ler tudo sem ter lido nada
[e eles não leram nada tendo lido tudo].
O mal está em haver poetas que abusam do analfabetismo,
e desacreditam a gaya scienza.
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Foto: Diamantino Carvalho- Quiosque V.Conde
domingo, 1 de setembro de 2013
ELOS DE UMA CORRENTE
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Mar
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Gente
Força
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Pedaço
Estaleiro
Barco
Aço
Marinheiro
Espaço
Convés
Água
Marés
Ondas
Coragem
Medo
Ancoragem
Navegar
Sextante
Navegante
Descobertas
Memória
Glória
Pátria
Povo
Tudo sugere uma corrente
Surgida à minha frente
DC
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Foto:Diamantino Carvalho
sábado, 31 de agosto de 2013
Um ABRAÇO....
...... de amor
Um abraço de amizade
Um abraço de calor
Um abraço de saudade
Um abraço de chamego..
Nem sempre abraços
Envolvendo um corpo
Por vezes só palavras
Por vezes um expressão de fim de texto
São abraços de qualquer jeito
Usados como pretexto
Que nos enchem o peito
Direi querido abraço
Que aproximas o meu amigo
Afastas o meu inimigo
Que dás cor aos meus braços
Não deixes que o cansaço
Te impeça de a todos dar
O aconchego e o calor
Dum abraço no seu apertar
DC
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Imagem:net -Arte de George Tooker
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