domingo, 28 de dezembro de 2014

Beijamo-nos infinitamente...




Beija-me com o sabor das lágrimas da alegria do regresso
Beija-me com a carícia das noites dos amantes
Beija-me, nosso amor é mais do que simples instantes

Beija-me pele, faz-me sentir o teu hálito quente
acordando meu corpo num desejo premente

Sente-me nos lábios as pulsações do meu coração
a bater desordenadamente de emoção

Beija-me como estivesses a soletrar
para que as palavras ditas nunca mais possam acabar

Beija-me de manhã ao anoitecer
e continua pela noite até um novo amanhecer

Beijo-te como tu me beijas, com a mesma intensidade
Com a mesma alegria força e vontade

Beijo-te, beijo-te sem parar com medo de te perder
como se o fim do mundo estivesse para acontecer.

Tu beijas-me, Eu beijo-te. Os dois nos beijamos
num beijo sem tempo, onde nos recriamos.

Beijamo-nos infinitamente, muito infinitamente
na certeza de um amor para sempre.

DC

sábado, 27 de dezembro de 2014

NASCIDA DE ABRIL


 

Há trinta nove anos, ainda eu viajando no interior da revolução, nasceste para seres a flor que marcou o meu Abril para sempre. Plantaste sorrisos no jardim da minha vida, deste-me alento nas horas menos boas e, foste motivo para maior empenho na construção de um país que conquistara a sua liberdade.
Foste e serás sempre a minha flor de Abril, não me deste somente a cor vermelha dos cravos mas também completaste o jardim da minha existência com as cores do arco-íris, que são a alegria da tua presença.

Mil beijos envolvidos na fragância das flores da esperança, para ti Iva nascida de Abril.

DC

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Mas que CONVERSA...


Gosto de conversar, até gosto de dizer que a conversa “é como as cerejas”, quanto mais se conversa mais os temas se enlaçam e nunca mais se pára de conversar. Às vezes temos de pôr um travão repentino, porque se não fica-se nas desoras.
Conversar não é fazer conversa da treta sem qualquer significado, não é “conversar para o boneco”, Conversar implica partilha, acrescentar, aprender, cultura, formação, sentimento, No fim, um mundo de descoberta permanente. Conversar implica pelo menos participação a dois, se não é como falar para o tecto.

DC OUT/14

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

DO AMOR...





... QUE TANTO SE FALA
E TANTO HÁ POR SABER

Tempos houve afastados
outros tantos reencontrados
recuperando seu amor
e com ele seu ardor.
Nos momentos de vida
uns dias tem tempestade
muitos mais de bonança
e assim vão passando
crescendo como criança
até adulto acontecer
Nem ele sapo adormecido
nem ela princesa beijoqueira
são a vida real de dois
aprendendo à sua maneira
Amar tem muito de saber
paciência, ternura, desejo
e arte de saber ceder
acompanhada dum beijo.
Variando
umas vezes perto
outras se afastando
aprendem com certeza
que zanga, só trás dor e pranto
O resto
É o amor e sua beleza.

DC

sábado, 20 de dezembro de 2014

O SOL É O SOL...ponto






Quando o sol de inverno surge depois das chuvas, vem vigoroso e caloroso, trazendo-nos o conforto que necessitamos depois do cinzentismo das nuvens. As chuvas lavam o pó acumulado nos objectos e nos elementos da natureza, realçando o seu desenho tornando-o mais nítido aos nossos olhos.
O sol vem brilhante, acaricia as plantas, aconchega árvores e ilumina algumas das folhas que subsistem em manter-se, dando-lhes um colorido e luz de pequenos diamantes. Nas ruas, as casas clareiam, o solo transpira trazendo calor e os carros circulam com um brilho de prata irradiando vida.

Os pássaros se agitam, cantam e voam animadamente em algazarra saudável, e nós, humanos, somos presenteados com o beijo da natureza que nos ressuscita dos dias menos bons.

É nestas alturas que sorrimos como patetas, somos uns simpáticos apalhaçados e temos força de elefante para derrubar muros de indiferença.

Na verdade neste mundo em que vivemos, quase se poderia dizer, que a felicidade, para mal dos nossos pecados e a bem dos predadores, é um simples raio de sol que limpa alma e deixa-nos a léguas dos problemas.

DC

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

MUDAR DE LUGAR


Podemos brincar com o sorriso emoldurando o rosto, até lhe podemos acrescentar alguma ironia, no entanto não poderemos esconder o que dentro de nós acontece, porque os olhos nos atraiçoam, e a nossa face diz tudo o que não queremos que se saiba.
Podemos até lançar foguetes deixando-os estalejar no espaço e, até corrermos apanhando as canas, mas na verdade só nos enganamos, é um fogo de artificio mundano, Mesmo quando usamos o ritmo da música e o ondular do corpo em participado maneio, não apagamos a tristeza, nem o medo ou angústia do tempo que corre sem que nada aconteça. Na realidade não conseguimos afastar, nem quebrar, o silêncio da nossa casa vazia.


Nem todas as respostas são fáceis, mas algumas estão escritas há muito dentro de nós. Daí, que seja importante, saber formular as perguntas para saber as verdadeiras respostas.


Ouvimos com frequência que temos de mudar, mas nem sempre sabemos, o quê e por quê? Talvez precisemos primeiro de nos consciencializarmos dessa necessidade. Uma coisa é certa nem sempre resulta mudar de lugar, mais importante do que isso, será mudar por dentro.

DC

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O QUE ARDE CURA

 

Os tecidos ardiam alimentando o fogo da lareira, desapareciam com eles as memórias, os cheiros, os significados. Nada existia que valesse a pena guardar, já não havia razões para existirem como lembrança, ou manter vivo o que nem como opção servia.

Tantas vezes ao abrir as gavetas, ou os armários que carregamos ao longo da vida, nos deparamos com “peças de roupa” cheias de estórias e nem sempre bem agradáveis.

A gravata, o casaco, o vestido, a camisa, o relógio, o colar, são objectos que trazem agarrados várias vivências e muitas delas boas, mas na hora da escolha, quando procuramos, sempre deparamos com aquelas que menos gostamos, ficamos de olhos vidrados e temporariamente perdidos ao fundo da gaveta.

Diz-se por aí, que devemos deitar fora, ou dar, as roupas que não usamos que é sinal de que afastamos os pensamentos negativos, confiando que o futuro nos irá trazer novas experiências e satisfará de novo os nosso desejos.

A pensarmos assim, talvez dar tenha o inconveniente de voltarmos a encontrar, ou ver nos outros o que recusamos seja vivido. Daí que o fogo lindo que na lareira arde, leva com ele a impossibilidade de que se repitam algumas das memórias desagradáveis, e que as boas não precisem de um elemento de referência, para serem reavivadas.

DC