segunda-feira, 7 de maio de 2018

Enquanto durou, foi para sempre





Viu-se isolada, suspensa aos olhos de todos. Não se envaidecia, ou tinha desgosto, pela cor da pele, isso era o menos importante. O seu corpo era como um cálice, que sugeria beber beleza, quando perante nós. Ela sentia-se uma força da natureza, pela exuberância como desafiava todos os obstáculos, resistindo ao abandono, ao desprezo, tantas vezes revelado em alguns dos rostos, que com ela cruzavam. O nascimento humilde, não a impediram de aprender com decorrer do tempo, mesmo sabendo-se efémera. Ela sabia-se um marco temporário, na alegria de muitos outros, nada seria suficiente para a travar, nessa capacidade de se dar aos que com ela conviviam. Foi isso que o fez perder o tino, apaixonar-se loucamente, e permitir o sustentar de um amor calmo, que só terminou com a sua morte precoce. Nunca houve arrependimento, nem se mediu a eternidade do que existia. Enquanto durou, foi para sempre. Nada podia ser mais intenso e belo, nada poderia ser diferente, dois se amando de igual modo. Independentemente da tristeza, da sua ausência, um sentimento de paz e amor ficara-lhe nas veias, dando-lhe a capacidade de sobreviver e ajudar outros a acreditar, que a vida sempre nos surpreende e não existem limites de tempo, ou espaço, para que isso aconteça. 

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