quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Temos direito ao sonho



Temos direito ao sonho,
a realizar os desejos,
a distribuir abraços e beijos,
de ser ombro,
de ser parceiro,
companheiro,
amigo,
de ser humano,
ser alguém em primeiro.
Ser livre nas decisões,
na liberdade,
nas emoções,
sem escolha de tempo e espaço,
aproveitando ao segundo
até os momentos a sós,
como se no mundo,
só existíssemos nós.

É flagrante necessidade
aprender esta realidade,
para fugirmos ao "fado"
e à palavra saudade.

DC

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Oh.. LUAAaa



sobre as ruínas ...renasce a vida
Oh..surgiste tão depressa como breve desististe, como a lua que repete os seus ciclos, em formatos diferentes, só duras trinta dias?! És a Lua Nova quando te escondes dentro da carapaça; a Lua em Quarto Crescente quando do teu regresso nas tardes e te acompanha na diversão da noite; Adoras a Lua Cheia da fantasia, do lobisomem e dos namorados sem sono, e rejubilas com a Lua em Quarto Minguante, preparando o teu nascer do dia. Em teus ciclos deixas o comum de ti, o cheiro do teu corpo e do teu perfume, o sorriso leve, a alegria do teu sonho, os sons da tua voz e uma nostalgia que se prolonga no desenrolar do dia e a urgência de um novo ciclo.
Todos os dias olho o céu, para saber de que lua te vais vestir, na esperança de que o ciclo se volte a repetir e desta vez não vás desistir.

DC

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sem a água da alegria...



Como se já nos tivéssemos envelhecido (?), pela realidade de outros tempos bem atrás, esgotados deixamos correr as rotinas, que nos foram dominando devagar, lentamente, em pezinhos lã. Agora olhamos fazendo o caminho ao contrário e vemos como fomos calcando em cada dia que corria, tudo aquilo que deveria ser importante em cada momento, em benefício das futilidades que iam surgindo. A frontalidade, o debulhar dos pensamentos e fantasmas, entre nós foi escasseando, a materialidade das coisas sobrepôs-se ao espírito, ao prazer das emoções, na realidade deixamo-nos secundar, pela luta de egos e pela censura mútua.

Seria tanto mais belo, que não aplicássemos as palavras certas na hora certa, mas nos deixássemos levar pela a aventura do crescer. Que deixássemos a incerteza do vocabulário, e agarrássemos as emoções, mesmo que intermitentes, mas saídas de dentro como se respirássemos, como a troca de beijos, da pele na pele, das ternuras e os murmúrios entre elas, como se fossem um dicionário de ajuda para construir algo profundo e duradouro.

Sei que vais-me gozar, rir de gargalhada quando leres o que aqui está, porque te parece uma contradição, escrever desta forma dizendo que as palavras nem sempre fazem sentido. Ri sim, mas acredita, que se o faço é precisamente um desabafo de pretensão intelectual, preferia não fazê-lo e apenas sentir e conseguir expressar o que está bem mais fundo dentro de mim e tu pudesse manifestar todos os dias, do acordar ao deitar, por gestos e atitudes, o quanto és importante e saber-me correspondido.

Hoje, num Julho submerso na incerteza do verão, sei que a solidão se instala não de fora para dentro, mas de dentro para fora. Ela seca tudo, como num deserto, perdendo-se o húmus da riqueza da partilha, sem a água da alegria que trazia o brilho nos olhos, agora baços, sem resposta ao estímulo das emoções.

dc

domingo, 5 de outubro de 2014

INGENUIDADE...talvez




No olhar subtil do gato
Estamos nós reflectidos
Olhamos como presa o seu recato
Até que acabamos comidos


DC

sábado, 4 de outubro de 2014

COMO UM GRITO



Em silêncio rabisco num pequeno esboço, a memória de teu corpo. As tuas formas vão surgindo sem esforço nas sucessivas linhas que se vão amontoando no papel. Tento colar-lhe o teu cheiro, a suavidade da pele, a tonalidade da voz, enquanto o lápis vai deslizando como se te procurasse. Como um grito, procuro agarrar na imagem cada momento morfológico que te define, temo que a passagem do tempo, me vá afastando de ti.

DC

terça-feira, 30 de setembro de 2014

OLHANDO A FOTOGRAFIA



Para que a noite não chegue,
tirando o sol ao dia,
parei o relógio do tempo,
olhando tua fotografia..


dc

A VOZ ERA A DELE...


Amanhecia e a rotina desde logo se instalava, tomava o comprimido obrigatório e um copo cheio de água que bebia na totalidade. Depois enrolava-se em posição fetal, fechava os olhos e deixava-se ficar.

Todos os dias um caminho diferente, a levava para longe daquele lugar, ficando muitas vezes sem saber, se estava a pensar, ou se era o sonho que a estava a comandar. Via-o sem rosto, sem forma física definida, só sentia o seu cheiro, o calor que a aconchegava quando perto de si se deitava, sentia a suavidade dos dedos no seu rosto, ou dos seus lábios macios percorrendo as pálpebras dos seus olhos, como uma brisa de estio. Sentia a emoção, não no cérebro, mas no corpo, na respiração, e nas batidas do coração. Era tal o encantamento, que se sentia numa espécie de nuvem de algodão doce, fofa e apetecível, que sabiamente saboreavam. A sua voz acompanhava cada carícia, quente melodiosa, humedecendo seu corpo de uma forma gostosa. Deleitava-se, numa sensação reconfortante, tão inexplicável, Dois num só em osmose perfeita, fora das coisas do mundo. Para ela, o amor, era como aquilo que sentia, ou, pelo menos, o desejo de que assim fosse, naquele nascer do dia.

Sonho ou pensamento, era tudo intangível, como tudo o que naquele espaço de tempo vivia.

O telefone tocou, era ele que ligava, acordando-a, Ela ficou sem saber, se o pensamento a atraiçoara, ou se o fora o sonho que acabara. A voz era dele, mas todo o resto era seu.

DC