Os lábios se selaram assombrados pelos seus pensamentos.
Como seria, se as palavras saíssem voando dizendo da cor dos sonhos, revelando o cheiro das flores, falando de abraços beijos e cansaços. das conversas faladas junto do travesseiro, dos sonhos vividos, dos momentos sofridos, das gargalhadas soltas. do medo que se percam nos dias. das ternuras sim as ternuras dos teus gestos. dos teus dedos, que na carícia traziam para dentro de mim, bem dentro, bem fundo, o desejo de te amar. Perderiam elas o sentido quando largadas no ar mitigado de oxigénio, de vida. Transformar-se-iam, perdendo o corpo. Seriam de todos menos de ti, seriam gostadas, menos por ti, que não as ouvirias, porque partistes e a distância te transformou tal como um rasto de avião que se desfaz lentamente no céu.
Resta-lhes ficar dentro de mim, fazendo puzzles comunicacionais, procurando rimas, sentidos, emoções outras, que não as delas, mas que partem delas, e se dispersam e reagrupam como que perdidas nos labirintos da razão.
Talvez com o tempo surjam no papel, umas com letra de forma traçado e espessura irregular, outras firmes e decididas misturando maiúsculas e minúsculas, a revelarem a sua essência. É verdade que deixarão de ser tuas, passarão a ser do mundo, porque todos as conhecerão, embora sempre tu dentro delas. E acredito arriscar, que um dia, olhando em diagonal a montra que por ti desliza, ao caminhar em ruas de um outro lugar, as vejas tituladas e assinadas, e saberás que são tuas, só alguém que te conhece o cheiro, te caminhou na pele, as saberá dizer e fazer chegar tão longe.
sábado, 7 de julho de 2012
AS PALAVRAS VÃO MAIS LONGE
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FOTO: Carlos Alberto Bau(net)
segunda-feira, 2 de julho de 2012
"AS ARVORES MORREM....DE PÉ"
Entrei na garagem e olhei para as prateleiras colocadas numa das paredes. Lá estavam elas, cerca de trinta esculturas de pequeno porte feitas em madeira.
Fiquei maravilhado e, ao mesmo tempo, espantado com o que vi. António Alberto, engenheiro de profissão, falecido há bem pouco tempo, deixara um precioso legado em arte.
Segundo me dizem, todos os troncos, raízes, ou galhos de árvore que encontrava nas suas viagens, fosse dentro ou fora do país, sempre serviam para transportar para casa e transformar em máscaras, figuras eróticas, mini-gigantones.
Todos aqueles pedaços de madeira ganharam vida suplementar, com uma ligação muito forte a cada momento vivido, e com uma riqueza plástica assombrosa.
A evolução da sociedade tem permitido que as pessoas, na sua generalidade, tendo mais acesso às obras de arte e aos artistas, enriqueçam o seu conhecimento estético e invistam com entusiasmo na sua própria realização artística. Daí, ser vulgar nos dias de hoje ver-se pessoas, cujo despedimento ou reforma foram motores de desenvolvimento de uma actividade artística, por vezes ao longo de anos escondida e postergada, por razões de sobrevivência económica ou por falta de oportunidade para a poderem desenvolver.
Esperemos que o futuro nos traga, ao contrário do que os poderosos da alta finança pretendem, uma maior satisfação na realização e escolha do nosso percurso profissional. Uma maior independência económica e de tempo, para que todos possamos desenvolver no nosso quotidiano outras actividades de âmbito cultural e artístico.
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Foto: Diamantino Carvalho
sexta-feira, 29 de junho de 2012
OLHO MAIS LONGE
Olho mais longe
Que o brilho do sol
E vejo o verde de teu mar
Olho e vejo o sorriso
Escondido nesse espelhar
Não tapando o teu amar
Altivo olhar na distância
Sem medo de enfrentar
E superar a sua ânsia
Na hora de avançar
Na beleza seu poder
Na mente sabedoria
Em seu rosto a alegria
Do um amor a acontecer
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Foto: Diamantino Carvalho
quarta-feira, 27 de junho de 2012
27'JUN'2012
Nasceu no seio da dor
No ventre da mãe
Viveu seu primeiro amor
No primeiro tombo
Ficou a marca de sangue
E calou-se de assombro
Como não era d’ouro
O lugar de seu nascer
Agarrou os cornos do touro
Para se desenvolver e crescer
Agastou-se no aprender
Coisas que os outros queriam
Não chegou a saber
Tudo o que pretendiam
Depressa ao trabalho chegou
Ainda com frágil estrutura
Nunca mais a sua mãe o mimou
Fazendo homem a criatura
Sem abundância de pão
Seu corpo se habituou
E assim ganhando outra razão
Em princípios que não pensou
Crescendo se foi fazendo adulto
Com politica, arte e livros fez parceria
Plantando novas ideias e culto
Na esperança de um novo dia
O dia chegou com a revolução de Abril
E nova vida em seu coração floriu
Dias de alegria, amor e luta foram mais de mil
E muita estória na sua vida surgiu
Os anos se foram passando
Tudo que fica são memórias
Que valeram pelas vitórias
Deste povo que foi amando
Resta hoje para aqui ficar
Sua filha e seu neto a ver crescer
Que todos os dias ao acordar
Lhe dão razão para viver
No entanto não se desvanece
Nestes dias hoje atribulados
A esperança de que o amor cresce
Mesmo em dias nublados.
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Foto: Diamantino Carvalho
terça-feira, 26 de junho de 2012
A VERDADE É SÓ A VERDADE
A história de Rachel Armstrong, uma jovem repórter da secção nacional do Capitol Sun-Times, um dos mais importantes jornais diários de Washington
Uma jornalista publica informações secretas supostamente vindas de um agente da CIA, ao ser intimada a denunciar a sua fonte recusa-se a fazê-lo e acaba sendo presa por desrespeito. Encarcerada, e sofrendo vários atentados a sua integridade física, perpetrados com a conivência das entidades prisionais, continua recusar-se a fazê-lo, para não trair a sua ética profissional.
De início ela tem total apoio do marido, mas diante da demora na resolução do caso ele passa a questionar a decisão da esposa por ter comprometido as relações familiares.Só no quase no final do filme se sabe quem é a sua fonte, quando o realizador faz um Flash Back, mostrando-nos o momento chave da obtenção dos seus elementos para notícia. É aí que melhor percebemos, que é muito mais do que a sua ética que está em causa.
Baseado em factos verídicos, o filme torna evidente forma como funciona o poder e a “democracia” EEUU e quais os artifícios usados por esse poder, para pressionar e tentar destruir moralmente a jornalista.
O filme é intenso e trágico, e bastante actual.>Grande interpretação da actriz Angela Basset, no papel de jornalista
NOTAS:
Ano de Lançamento: 2008
Nome: A Verdade e Só a Verdade
Nome Ingles: Nothing But the Truth
Gênero: Drama Suspense
Tempo de Duração: 115Minutos
segunda-feira, 25 de junho de 2012
JUNHO' 2012
Ali estava divagando seu olhar pelo horizonte sabendo nele estar sua utopia.
O sonho se esvai e o tempo de o realizar passou. só lhe resta ver outros mais felizes possuí-lo.
Um dia negou a voz, e aceitou o silêncio para que não murchasse a flor que tanto regara. para que essa flor pudesse livremente espalhar o seu aroma e a beleza das sua pétalas, sem que a erva daninha a perturbasse.
Como muitas coisas que na vida, por vezes temos de abdicar de um bem precioso, ou de alguém de quem se gosta, para que seja livre e possa voar.
Agora, resta na praia, saboreando contornos de veludo em flor, de pétalas douradas, misturando seus aromas com a maresia, acentuando o desaguar de seu corpo.
Repentinamente sem precaução mergulhou nas águas verdes de seus olhos e por momentos deixou-se ir para as profundezas do oceano.
A expectativa é não voltar, afundando-se infinitamente, até que seja a pele da mesma pele e sentir do mesmo sentir.
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Foto: Diamantino Carvalho
"SE ISTO É UM HOMEM"
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(Edmund Burke) |
"Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homemMeditai que isto aconteceu:
Quem trabalha na lama
Quem não conhece a paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no inverno.
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou então que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entreve
Que os vossos filhos vos virem a cara."
Este texto que inicia o livro de Primo Levi "Se Isto é um Homem", faz uma chamada de atenção a toda a humanidade para o que se passou com poder alemão na Segunda Guerra Mundial. É também uma apelo para que não deixemos que volte acontecer e que sejamos solidários na dor e na luta, na procura de um mundo melhor.
Nos dias de hoje o poder da alta finança, sem pátria, instalou a crise e com ela pretende igualmente, a mesma humilhação e sacrifício dos Povos. Esta é a versão moderna da "guerra" e domínio desses senhores.
O autor Primo Levi Nasceu me Turim em 1919 e suicidou-se em 1987, na mesma cidade. Participou na Resistência contra a ocupação nazi, foi preso e internado no campo de concentração de Auschwitz
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