quinta-feira, 5 de novembro de 2015

No meu barco e no meu mar



              No meu barco e no meu mar
              a oportunidade do nosso navegar 
              Com a confiança num lugre
              resistente a navegar no mar bravio 
              Viajar em pleno nesse outros mares
              onde se geram diferentes falares 
              Sinto-te de longe, nesse espaço sideral
              das paixões adormecidas 
              Morrendo-te, companheira das agonias alheias,
              no correr dos dias na incerteza das ideias. 
              dc

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Na rede das emoções



Na rede forjada fora das emoções, caminhos se cruzam sistematicamente, no perfeito design com que a natureza nos brindou, Somos, com toda a liberdade que nos arbitram, figuras estruturais, com ritmos, ligados à sobrevivência, e nas quais as emoções são parte aleatória que complicam e se vão lentamente alterando, se positivas reforçam, se negativas degradam o sistema que nos sustenta. Difícil é saber reconhecer, que a maior causa dos problemas físicos, está em nós próprios, pela forma errada como nos servimos do próprio corpo, mesmo quando ele nos avisa, as emoções ajudam a agravar esse estado. Resta-nos reconhecer nas dores, do próprio corpo, que nos alertarem do que está errado e depois ter confiança em saná-las com auxilio adequado.
dc


terça-feira, 3 de novembro de 2015

MeMóRiAs InSaNas




                        estás lá permanentemente, no sonho, na vida, na memória, nada se desfez na neblina.
          está lá, e fica, nos olhos verdes, na coxa grossa e curta, no peito magro e pequeno, na boca gorda e saborosa, na saia que te aperta, nas calças que te desenham, na camisa que te desnuda, no sorriso malandro, no grito intempestivo, no beijo com sabor a Porto, no calor do colo, nos passeios junto ao mar.
          está lá, até na vontade de me esqueceres, do mesmo modo que eu evito, tudo fazes para viveres, para não ouvires o meu grito, não te queres abeirar de mim, queres a intensa solidão, chorando por te perderes sem encontrares o chão.
          estás lá, no dizer do povo, em marés que se repetem os marinheiros são insuficientes, e eu espero porque sou maré, que cumpro meus ciclos, sucessivamente, chova, ou faça sol, no mar ou em terra, no ar ou no chão, longe ou perto. um dia, reconhecerás, que se perdeu tempo demasiado nas inutilidades, por medo se perder o que na realidade é menos do que nada, e nesse balanço sentir o tanto que se poderia ter mais cedo e sem espera. 
                         as cabanas não trazem o amor, são construídas e recheadas dele.   
                         dc

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

dANÇANDO





         Dançavam
          Agarrados
Corpos
          Amassados
Desejosos
          Rodando
Garbosos
          Tangos
Boleros
          Fandangos
Adentrando
          Sentindo
Molhando
          Por baixo
Lábios
          Tremidos
Pernas
          Bambas
Músicas
          Bandas
Sorrisos
          Olhos
Semi
          Cerrados
Por Fim
          Separados
Lugares
          Retomados
Agora
          Acabando
Começando
          Enfim
Fado
          Saudade.

dc

domingo, 1 de novembro de 2015

os Pés



Os pés
se enrolam
perdidos
desnudos
dela 
Pernas
trémulas
coxas
sulco
vénus 
Monte
fonte
prazer
medo
segredo 
Nascer
prisão
casar
confusão
Não 
Recua
pensa
dispensa
prender-se
ilusão 
Os pés
fogem
a sete
livres
voam
 
dc

sábado, 31 de outubro de 2015

Pegadas Na Areia




Então sempre queres passear comigo na beirada do mar, desenhando pegadas na areia, de mãos dadas e os dedos entrelaçados, com os olhos no nosso horizonte?

Já decidiste, se queres respirar o mesmo ar que eu respiro, refrescar o rosto com a mesma brisa e sentir que flutuamos acima do que nos rodeia?

Será que quererás envelhecer mais próximo de mim, para que veja as tuas rugas surgirem e tê-las só minhas, e o teu corpo desjuvenescer no conforto do meu?

Já pensaste, se não será, agora, a hora de agarrar este momento de azul que nos permite a beleza de estarmos, antes que a terra escura nos torne adubo da dor dos que amamos? Carpe diem

Assim questiono o travesseiro, por que eu tenho planos. Sabes quero oferecer-te flores que se percam na tua beleza, Que o meu “gosto de ti” se solte no teu ouvido e se abrigue na pele dos dias.

Quero-te sonhando comigo, mesmo de mentes separadas na distância, sonhos daqueles de bom sonhar, onde nos enleamos, fazendo caminho nas nossas coxas, enquanto as línguas se vão entrecruzando em jogos de maviosa sedução...e depois... depois dessonhar e sentir-te tão minha que duvido da luz que entra pela janela para apresentar o dia.

É bom ter esse sentimento que nos domina, e nos envolve, usufruindo-o livremente perante os outros... sentir-nos voando largando tudo o que possa impedir vivermos.

Quero-te comigo, sentindo os pés se enterrando na areia deixando caminhos que se apagam...sem querermos que nos sigam, querendo agarrar as conchas que se sepultam naquele lugar e observá-las, registando cada risco, cada curva, cada cor...esperando... o inevitável...o meu corpo se colar no teu projectando-te na maciez da areia, para uma vez mais, saciarmos vontades e desejos, despidos do medo, sentindo o sabor a sal do desejo que o mar nos acalenta.

Seremos loucos se deixarmos aos outros este lugar de nós, que queremos viver. Seremos loucos, se nos deixamos enterrar em dúvidas inúteis, ou precauções, que nos impedem de nos realizarmos neste tempo de agora.

Na luz verde se espera o avanço, mas nós já temos o cores do arco-íris, porquê esperar?

dc

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

não me tragas o teu silêncio...




não me tragas o teu silêncio, que o meu já é muito pesado
não digas que falo demais, se o teu silêncio me corta a palavra
não me digas ter de lutar pela vida, quando a minha foi isso mesmo
não digas que sou teimoso, por resistir ao que me é imposto
não me digas que não sei o que é desgosto, se tantas vezes me desgostaste.

não digas que eu parta, quando sabes que quero ficar
não digas para não temer, se todos os dias temo te perder
não digas para ter calma, se todos os dias me pões em alvoroço
não digas que o longe incomoda, se não fico-me pelo nosso esboço
não digas nunca mais, porque eu sei que nada é definitivo.

diz sempre que vale a pena, tanto querer
diz que a vida não é um poema, mas que o amor pode ser
diz que temos caminho para fazer o nosso viver
diz sim, que me queres, mesmo desfolhando malmequeres
diz que somos unha e carne, mesmo que hajam unhas partidas
diz que amar nem sempre dura, mas que vale a pena a aventura.

se o silêncio se esgotar e algo de novo resultar
temos a certeza da aventura
que há muito andamos a sonhar.

dc