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domingo, 23 de julho de 2017

Só um pormenor




Na clareza da voz da manhã, enfrento o dia com um sorriso.
Da mente limpo a neblina deixando entrar o sol, Afasto do peito a dor.
Olho o mar, deixando-me navegar, como sempre faço, sem medo de como será o outro lado do horizonte que se alonga até ao sol posto.
Hoje despertei com um sonho que se repete, como se dele viesse a certeza, de que um dia chegarás para te tornares a realidade de todos os dias.

dc




quinta-feira, 20 de julho de 2017

sem título





O computador avariou, e as palavras ficaram retidas na conveniência do acontecimento.
Poucas pessoas me entendem como tu, por isso, nos meus escritos não precisas de tradução metafórica, sentes nas palavras, a estória escrita com a tintas dos dias que juntos percorremos.
Talvez pudesse ter escrito uma carta à mão, tornar-se-ia até mais pessoal. Ficaria o registo, enriquecido pelo grafismo das letras, a tinta, sobre papel e o cheiro próprio que as cartas manuscritas trazem consigo. Teria sido fácil para me leres e ficarias com a certeza de que a demora não fora de zanga, somente um lapso técnico, que estas coisas técnológicas trazem coladas a si. Mas será que valia a pena?
A ausência tem a vantagem de nos tirar do caminho estreito, onde nos sentimos constrangidos em assumir o que não queremos. Assim evitaram-se explicações, nada foi dito, tudo se esvaiu no seu próprio silêncio. Valeria a pena fazê-lo? Não sei, já tinhas decretado o teu silêncio, propositadamente, nessa altura não quiseste saber da explicação possível, tantas poderiam ser as razões para o justificar.
A saudade, essa, continuará a existir. Os sentimentos não se apagam com tinta de correção, ou borracha, nem desaparecem mesmo quando a tecnologia nos surpreende pela negativa.

dc




segunda-feira, 17 de julho de 2017

AUSÊNCIA







Pois bem, somente um pequeno esclarecimento. 
Não morri, nem pretendo morrer por minha iniciativa, não estou de férias, nem tenho problemas de saúde, em especial alzheimer (felizmente), mas houve uma razão, não menor,  para ter deixado de escrever aqui no blog.

As tecnologias, embora importantes para o progresso, por vezes, defraudam as nossas expectativas e deixa-nos desarmados. Ao fim de dois meses, o meu computador regressou do SPA onde esteve recuperação. Entretanto, sem meios para escrever e publicar, tendo dificuldade em fazê-lo em outro processo tecnológico que não seja o computador, fiquei de mãos atadas. Restou ir guardando em papéis alguns apontamentos, para que não perdesse as ideias e o jeito, quando do meu regresso.

Perante este facto, aproveitei o tempo lendo, reflectindo sobre as vantagens e consequências desta paragem, sobre os silêncios, sobre os vazios, e, sobretudo, analisando e aprendendo com os “ruídos” dos outros nas suas diferentes formas de comunicação.

Ainda não sei, se vou começar a escrever com regularidade como anteriormente, ou se vou ficar novamente sem possibilidades de o fazer, pois tenho de voltar ao SPA no processo de recuperação do “bicho” algo falhou.

Hoje, mesmo com dúvidas, decidi escrever, por isso estou “prá qui “ enfrentando o brilho do ecrã novamente, mas os dedos não encontram o caminho, nem fio condutor para um melhor uso das palavras. Este texto de esclarecimento(?), é o resultado, filtrado, entre o que gostaria de dizer e aquilo que está escrito. Tudo num esforço, de apaga e escreve, procurando o conteúdo mais acertado(?). Afinal, parece que há mais uns problemitas...

Obrigado aos que questionaram a minha ausência e sentiram a minha falta, aos outros que nem pensaram no assunto, do mesmo modo os meus melhores cumprimentos.

Até breve

DC


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Foi um beijo




O beijo
não se perdeu
se mo deste
foi ganho meu
deste-o
vivo e vermelho
com doçura
com ternura
foi um beijo
de muitos que deste
num ensejo
que ainda perdura

O beijo
não se apaga
ele se transforma
e na memória
se retoma
num ciclo
que não acaba

Beijei
tu beijaste
eu retribui
tu continuaste
assim foi no tempo
expressão de amor
e o beijo
fio condutor.


dc


sábado, 22 de abril de 2017

Uma aragem fria





Como chegaste
Partiste
Na frieza de sempre

Não sei se sentiste
A aragem fria
preenchendo o ar

Na verdade
Muito ficou por dizer
Neste ir e voltar

Fazes minha boca fechar
A verdade custa a dizer
E a mentira custa manter

Por isso não me espanta
Há pessoas que no seu viver
A verdade pouco as encanta

Nada resta que valha pena
Se a minha alma te é pequena
Para quê ouvir e falar

Seriam frases perdidas
Emoções contidas
Sem encontrar seu lugar

O bom não é eterno
Sempre haverá verão e inverno
E muito para escrifalar
 
dc





terça-feira, 11 de abril de 2017

confidência




“Face lisa, sem botoque, umas pequenas rugas nos olhos, não da idade, mas pelo olhar intenso que faz ao cerrar os olhos, como se quisessem adentrar. Olhos belíssimos, negros, enormes, trazem vida à boca de lábios vermelhos cor de cereja.
Do resto, é melhor nem falar, é demasiado para ficar indiferente. Uma morfologia física a não desdenhar e uma capacidade intelectual acima da média.  Ela e seu encanto, trazem-me o sorriso aos lábios quando a vejo, seus dedos têm a leveza da borboleta quando me percorrem o rosto. As sua mãos, são macio veludo com que agarra meu rosto e me beija boca, como que sorvendo um fruto. Beijo molhado, corpo se enroscando, se aninhando em meus braços voando para dentro de mim.
Horas sem sentido falando, beijando, indo mais longe, descobrindo que o sabor da vida é um nós que se vai instalando, não deixando lugar a dúvidas, confiantes no que temos e conquistamos.”

Em jeito de confidência, foi assim que ele me descreveu o amor da sua vida. Numa alegria de criança, de voz agitada, mãos desenhando no ar arabescos, com agitação de uma performance em tela de Pollock*, Só não dava pulos no ar, mas voava, sentia-se que voava, mesmo de pés assentes no chão. Sentia-se a leveza na expressão do rosto, todo ele era felicidade.
Eu, que o ouvia, deliciava-me por perceber que a sua contagiante alegria era uma mensagem, um alerta de esperança, para os menos esperançosos, de que a qualquer momento, nesse caminhar dos dias, se pode dar uma topada e dali surgir o seu “ai jesus”.

dc


*Paul Jackson Pollock foi um pintor norte-americano e referência no movimento do expressionismo abstrato.