segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

SURGINDO DA NOITE ESCURA

Surgira da noite escura, partilhando um espaço de vida, outrora morto, afagando seu ego, elevando a espiral do seu sorriso e deixando no ar um mar de sonhos e esperanças.
Todos os dias, são salpicados por histórias várias de apelo à resistência e à confiança, de que o caminho, embora difícil, não impedirá que cheguem ao objectivo. Não ficara claro se foram talhados um para outro, mas uma coisa é certa, se se encontram nesta etapa da vida, no cruzamento inóspito, das estradas percorridas ao longos dos anos, é porque teriam de fazer um percurso juntos, não sabiam quanto nem em que direcção, mas teria que acontecer.


Vivenciaram-se. Agora restam, trocando lágrimas de alegria, porque se sentem gratos, no chegar ao fim do dia.

sábado, 7 de janeiro de 2012

FUNERÁRIAS AO PODER

Quando estamos doentes as defesas físicas e mentais estão abaixo de zero. Sentimos que não somos ninguém, o nosso corpo não nos obedece. Tomamos os remédios recomendados, mas o mal demora a desaparecer e em alguns casos, não há solução. Por muito que os médicos, familiares e amigos dêem conselhos, ou nos animem, nada é suficiente.

Um simples gripe acompanhada de febre, deixa-nos como se fossemos moribundos, suados, mal cheirosos e a delirar. Ficamos sem apetite e dormimos como se não o fizéssemos, como se existisse uma cortina de ferro sobre os olhos, os ouvidos com sons de um exército a marchar e acompanhado do martelar das batidas do coração. São vinte quatro a quarenta oito horas de loucura, que mal sentimos melhoras quase nos apetece dançar de alegria.

Pior, pior é quando não é gripe, porque aí tudo se torna mais estranho e ficamos ensimesmados, no que poderá ser, ou não ser, e embora não tenhamos febre, as preocupações aumentam.

Em tudo isto, se formos mal acompanhados pelos médicos, ainda mais descaímos e a doença parece tomar conta de nós.

Muitas vezes a doença é acompanhada de solidão, ausência de amigos e família, aí então, sentimo-nos a maior merda do mundo. Somos derrotados pela doença e pelas condições psicológicas que acentuam todos os contornos que a envolvem.

Este retrato mal amanhado, do modo como muitos vivemos quando doentes, for vivido e sentido, dentro das novas medidas assumidas pelo governo, considerar-nos-emos, abaixo de zero ao quadrado e desesperados. Com medicamentos não comparticipados, taxas moderadoras mais elevadas, centros saúde fechados nos feriado, ou fim de semana, consultas externas com meses de atraso, cirurgias para o dia de “São Nunca”, que mais irá acontecer? Só podemos ficar mais doentes.

Aconselho o governo a promover as agências funerárias, dando-lhes condições de implementação rápida, se possível à porta dos hospitais, e com apoios financeiros, para que os utentes comecem cedo a pensar na partida para o outro lado, porque neste já os senhores do governo nos fizeram a folha.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

FALAR da NOITE..


Dizem que a noite é boa companheira, ou melhor o dormir em cima das coisas. Nem sempre isto é verdade, por vezes a noite é povoada de fantasmas, de dúvidas, de angústias, que a escuridão adensa. Por vezes o nascer do dia, torna tudo mais leve e fácil de concretizar. Daqui, se me gera a dúvida. Será, que por causa das tais negritudes, que ensombram o nosso pensamento, depois o dia seguinte nos parece melhor, ou de facto, a noite é péssima companheira tornando tudo mais difícil e como consequência respiramos de alivio quando de manhã acordamos? Será essa a razão para que se diga que é boa companheira?
Uma coisa é certa, dizem os aturados especialistas que nos devemos “deitar com as galinhas” e acordar com o cantar do galo - que chatice se o galo está mal disposto, ou a galinha está com o TPM, porque de uma forma ou de outra somos prejudicados - , ou outra expressão bem popular “deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer”. Na verdade, existe algo de verdade nestas observações. A noite, normalmente, mesmo no centro da cidade, é mais silenciosa, como tal, permite um maior descanso e maior facilidade no adormecer e os ruídos de ambiente não continuam a martelar o nosso subconsciente enquanto dormimos.
No entanto, tenho para mim, que a noite, ou o dia, são espaços temporais, que têm características próprias, tornando-se escuros, claros, bons ou maus, dependendo da nossa personalidade, educação, cultura, daquilo que vivemos, como vivemos e do que gostamos.
Há momentos da noite que são lugar de veludo, deliciosamente sentido.
Há noites de amor, onde a seda da pele, o tacto, os cheiros, os sons, as palavras ciciadas prendem a nossa atenção e dão lugar ao sonho. Outras, não menos numerosas, em que o prazer das palavras, que se nos deparam aos olhos nos deixam extasiados na descoberta de outros mundos. E muitas outras, que tornam a música mais sublime, ou fazem, com que a viva voz, pela noite fora se diga da alma. 
Tem noites, em que nos revelamos, seres excepcionais, amigos incomparáveis, almas de aconchego. 
Viva a noite, que nos torna sublime o dia, para que este faça da noite um momento sublime.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

MASSAGEM

As mãos percorrem-lhe o corpo. Procuram acalmar-lhe o cansaço e as dores que o incomodam. Lentamente, quentes e poderosas, vão procurando nos interstícios de cada músculo, de cada ligação articular, de cada espaço da pele, acalmar a dor e o stress acumulado. Aqui são as mãos que falam ao corpo.

Não existe pensamento, só dedos que mexem, que pressionam, que afagam e um corpo esperançado no retorno ao bem estar. Toda a zona massajada começa a reagir, a realidade se esbate e uma espécie de limbo se instala.

Depois as mãos deslizam, se instalam na nuca percorrendo a zona da cervical, pressionando vários pontos dolorosos ali contraídos e vão caminhado em direcção ao rosto, sempre comprimindo as faces, as sobrancelhas, o lobo das orelhas, o queixo. A certo momento as mãos, em concha, sobre a face vão transmitindo calor numa sensação agradável que ao mesmo tempo nos transportam para longe e nos trazem a necessidade de ficar.

O tempo pára, e quando de repente nos apercebemos, abrimos os olhos, vemos a manta que nos cobre e que nada existe, somente nós.

Até uma próxima vez, tudo em nós está mais activo, mais disponível e renovado para enfrentar os dias.

Que pena não podermos todos ir à massagem!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

NO COMEÇO DO NOVO ANO


 
O mar na sua cor verde escura, realça o branco das pequenas ondas que de onde em onde se vão formando e desfazendo. A sua cor é reflexo do céu brumoso deste primeiro dia do ano de 2012.
As gaivotas, com a sua cor clara, pousadas nas rochas, criam uma pintura pontilhista na paisagem.
O vento sopra vergando as pequenas árvores que existem no limite do areal, como sempre acontece nas nortadas deste zona minhota.
Dentro do carro observo atentamente, quase sem perceber que o faço deixando-me levar como que hipnotizado, entrando num estado, em que a realidade e a inconsciência se tornam intermitentes.
As imagens misturam-se, tão depressa sentindo a pele da anca roliça, como de repente a espuma da onda que bate na rocha, metáfora de um orgasmo. De seguida, o silêncio das imagens, somente o ruído do vento e do mar, numa osmose perfeita, entre dois mundos.
O sorriso fugaz surge sugerido pela nuvem que no céu apareceu, rosto enquadrado pelo cabelo palha, como sendo escovado lentamente pelo vento que fustiga a costa. Tudo se desenvolvendo no mesmo momento. Nem nuvem, nem rosto. O stress vai-se diluindo e há uma paragem no tempo, entre a realidade e o inconsciente. O vazio.
A gaivota em voo picado sobre o areal, de repente se endireita e fica suspensa no ar pela força do vento. As asas, em ligeiro agitar, suspendem a imagem como se em pose para ser fotografada, do mesmo modo, o meu olhar fica parado e tudo na mente deixa de existir, só respiração, vento, mar e gaivota. O mundo, a vida, desaparecem fica só a terceira dimensão.

O novo ano começou e na realidade me perco, não sei onde estou.

sábado, 31 de dezembro de 2011

PARTIDA SEM REGRESSO


 
Hoje parto definitivamente para um lugar sem regresso. Não levo saudades, tudo correu mal, hoje será o meu último presente. Dizem que é o nosso karma e que regressaremos de novo a este mundo encarnando outra figura, outra alma. Oxalá fosse verdade que regressasse renovado espalhando amor, alegria felicidade, sem egoísmos para todos.
Parto sem saudades, muitos foram os dias que neste sofri. E no final somente uma réstia de sol surgiu que me animou, e alguns dias de intenso amor, mas ainda periclitante. É  a réstia que me sobra para na próxima vinda, eu possa gostar de cá estar.
Economicamente foi tudo muito mau, e no aspecto humano e social tudo deixa a desejar, por isso, como já disse, parto sem me preocupar com as memorias decorridas mas com fé de que tudo irá melhorar.
Só me resta desejar-lhes um novo ano feliz que 2012, seja efectivamente aquilo que todos anseiam. Eu por mim já cá não estarei.



Um abraço
O Ano Velho

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A noite em que o sol brilhou


A noite iniciara o seu caminho, quando para seu espanto o sol brilhou.
Sem raios visíveis, mas em teias de palavras, que geraram energias, motivaram crenças, trouxeram alegrias.
Encadeados os olhos se fecharam. Na mente os pensamentos partem para outras paragens.
Deixou-se ir na brisa acontecida sem ter a noção da partida. Só sabia que naquela noite o sol brilhou, mas não sabia como a brisa o levou.